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Foto: Artem Podrez / Pexels
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#Verificamos: É falso que CoronaVac pode provocar ‘câncer e pensamentos suicidas’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.dez.2020 | 16h05 |

Circula nas redes sociais que a CoronaVac, vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinovac que foi testada pelo Instituto Butantan, pode provocar dez tipos de câncer e desencadear pensamentos suicidas. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

coronavac-suicidio-cancer

“Testes mostraram que vacina chinesa CoronaVac pode causar 10 tipos de câncer e pensamentos suicidas”

Texto em imagem publicada no Facebook que, até às 15h30 de 15 de dezembro de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 650 pessoas.

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há nenhum registro de que a CoronaVac, vacina em desenvolvimento que está sendo testada no Brasil, cause câncer ou “pensamentos suicidas”. Em 17 de novembro, os resultados das fases I e II dos testes clínicos da CoronaVac foram publicados na revista The Lancet. Nestes testes, foi relatado que o principal efeito adverso do imunizante é dor no local de aplicação. Um paciente apresentou irritação na pele, uma espécie de alergia, após tomar a primeira dose do imunizante durante a fase I, mas o efeito do superado após 48 horas e não se repetiu após a aplicação da segunda dose. 

Antes disso, em outubro, a Sinovac, companhia responsável pelo desenvolvimento da vacina, divulgou dados sobre o uso do imunizante em 50 mil pacientes chineses. Consta na apresentação que 5,36% dos participantes tiveram efeitos colaterais, mas nem câncer nem pensamentos suicidas estão entre eles. Os sintomas mais comuns eram dor no local da aplicação, fadiga e febre moderada. Esses dados não foram publicados em revista científica.

Os resultados da fase III de testes da CoronaVac, que está sendo realizada parcialmente no Brasil, ainda não são públicos. Os números seriam apresentados nesta terça-feira (15), mas o governo de São Paulo adiou o anúncio. A Administração Nacional de Produtos Médicos (NMPA), equivalente da China à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já autorizou o uso emergencial da CoronaVac na China e a expectativa é que ela tenha a autorização definitiva em breve.

Por meio de nota, o Instituto Butantan afirmou que a publicação é “totalmente inverídica”, não houve nenhum caso de desenvolvimento de câncer ou que tenha provocado “pensamentos suicidas” nos participantes. O instituto ressaltou que a CoronaVac é formulada a partir da técnica de inativação do vírus, uma das mais tradicionais na produção de vacinas, e confirmou que não foi observado nenhum caso citado nas fases I e II dos testes, que ocorreram na China, tampouco na fase III, que está em andamento em sete estados e no Distrito Federal. “Não foi registrado qualquer efeito adverso grave entre os participantes e os resultados até aqui já comprovaram que a vacina é segura”, finalizou.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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