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#Verificamos: ‘Investigação’ não comprovou que havia ‘antifas’ infiltrados em invasão ao Capitólio

Editor | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.jan.2021 | 14h09 |

Circula nas redes sociais que “antifas” infiltrados teriam sido responsáveis pela invasão do Capitólio, edifício sede do Congresso dos Estados Unidos. Segundo o site Terça Livre, uma “investigação” mostrou que um dos invasores teria um símbolo supostamente ligado à esquerda tatuado na mão. Além disso, uma foto sua teria sido publicada num site chamado “Philly Antifas”. Outro invasor teria participado de um protesto do movimento Vidas Negras Importam, no Arizona.Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Após invasão ao Capitólio nesta quarta-feira (6/1), investigação certifica que pelo menos 2 Antifas estariam infiltrados na invasão ao Senado Americano”
Trecho de texto publicado pelo site Terça Livre que, até as 13h do dia 7 de janeiro de 2021, tinha sido compartilhado por mais de 100 pessoas no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Nenhuma das “evidências” apresentadas no texto comprova, ou mesmo indica, a existência de “antifas infiltrados” na invasão ao Capitólio, edifício que sedia o Congresso dos Estados Unidos. A “investigação” a que a publicação se refere tampouco é oficial, mas sim empreendida por usuários de redes sociais que compartilham suas pesquisas sobre o assunto.

Antifa é uma corruptela de “antifascista”. O termo é utilizado desde a década de 1930 para descrever grupos independentes que lutavam contra movimentos e estados fascistas. O primeiro deles foi o Ação Antifascista, que se opunha ao nazismo na Alemanha. Recentemente, o termo foi resgatado por militantes de esquerda de diferentes tendências.

A primeira evidência apresentada pelo site Terça Livre seria uma tatuagem na mão de um dos manifestantes, cuja identidade é desconhecida. Segundo a publicação a marca na mão esquerda do homem seria uma “tatuagem antifa”. O símbolo tatuado é, na verdade, a “Marca do Estranho”, do jogo eletrônico Dishonored. Neste game, lançado em 2012, o personagem principal, Corvo Attano, usa a marca para acessar poderes sobrenaturais.

Segundo o site Terça Livre, o mesmo manifestante apareceria em uma foto no site Philly Antifa, organização de esquerda de Philadephia, o que seria mais uma prova de sua relação com movimentos contrários a Trump. Mas isso não significa que ele faz parte dessa oposição. Pelo contrário: a foto é parte de uma publicação que denuncia atividades neonazistas. Apesar da semelhança física, não há confirmação de que o homem que aparece nas fotos do site Philly Antifa, identificado como Jason Tankersley, é o mesmo que estava na invasão ao Capitólio.

Outro suposto “infiltrado” seria Jake Angeli, que ganhou notoriedade por usar uma fantasia de “viking” durante a invasão do prédio do Congresso americano. Neste caso, a “evidência” defendida pelos usuários no Twitter seria o fato de que ele estava presente em um protesto do movimento Vidas Negras Importam na cidade de Tempe, no Arizona, em junho. 

Angeli, de fato, estava no protesto, mas não como parte do grupo e sim provocando os manifestantes. A foto usada pelo site Terça Livre foi recortada digitalmente, o que escondeu um cartaz do movimento QAnon que o manifestante segurava na ocasião. O cartaz dizia “Q sent me” (“Q me enviou”). O QAnon é parte da extrema-direita norte-americana, e se formou a partir de teorias da conspiração que circulam no fórum anônimo 4Chan, postadas originalmente por um usuário incógnito que atende pelo apelido Q. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Natália Leal

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Os dados são mais graves do que a informação
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FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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