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#Verificamos: É falso que Washington Post publicou reportagem dizendo que Coronavac foi rejeitada pela China

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.jan.2021 | 13h54 |

Circula pelas redes sociais que o jornal Washington Post teria publicado uma reportagem dizendo que a China não quer utilizar a Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, para imunizar a sua população contra o novo coronavírus. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:


“Deu ruim pro Doria! Washington Post denuncia que a China não quer a vacina do Butantã [Coronavac]”
Texto compartilhado no Facebook que, até às 11h do dia 08 de janeiro de 2021, tinha sido compartilhado por mais de 1,7 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não existe nenhuma reportagem do The Washington Post dizendo que a China decidiu não utilizar a Coronavac para imunizar a população do país. Os textos publicados em 2021 pelo veículo sobre a vacina falam sobre a eficácia da vacina chinesa, a aprovação em outros países e o cronograma brasileiro de vacinação

O post que circula pelo Facebook diz ainda que a Sinovac, farmacêutica responsável pelo desenvolvimento da Coronavac, estaria com problemas na China. Essa informação tem como base uma reportagem do The Washington Post, publicada em novembro, que trata de casos de suborno envolvendo a empresa entre os anos de 2002 e 2016.

O jornal teve acesso a registros de tribunais chineses que mostravam que o CEO da empresa, Yin Weidong, admitiu ter repassado propina para um funcionário da agência reguladora chinesa, Yin Hongzhang, entre 2002 e 2011. A reportagem cita, ainda, que outras autoridades sanitárias chinesas receberam dinheiro da companhia até 2016.

Yin Hongzhang foi condenado em 2017 a uma década de prisão por aceitar subornos da Sinovac e de outras sete empresas. Yin Weidong da Sinovac, por sua vez, não foi acusado e continua a supervisionar a campanha de vacinação contra o coronavírus da empresa este ano, informou o veículo

Em julho de 2020, a China aprovou o uso de algumas vacinas — entre elas a Coronavac — em caráter emergencial. Na semana passada, o governo chinês aprovou que a vacina do laboratório Sinopharm seja utilizada para a imunização em massa da população.

Essa mesma reportagem foi utilizada como “fonte” para outra peça de desinformação, publicada em novembro, que dizia que o jornal americano acusou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de receber propina da empresa. A informação é falsa e foi verificada pela Lupa na época.


“São Paulo é o financiador desde 2019, antes de aparecer o vírus”
Texto compartilhado no Facebook que, até às 11h do dia 08 de janeiro de 2021, tinha sido compartilhado por mais de 1,7 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa e circula desde junho de 2020. Naquele mês, a Lupa verificou o boato e mostrou que o governo de São Paulo não assinou nenhum convênio para obter a vacina chinesa em 2019, antes da pandemia da Covid-19. Essa informação falsa se baseia em uma interpretação equivocada de uma afirmação do governador João Doria. 

Em coletiva de imprensa, Doria afirmou que a parceria entre o  Instituto Butantan e a farmacêutica Sinovac para a realização de testes no Brasil se tornou possível por causa da abertura de um escritório comercial em Xangai, na China, em agosto de 2019. Ele não disse que o contrato foi assinado nesta data.

Essa peça de informação também foi verificada pelo Aos Fatos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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