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#Verificamos: É falso que empresa White Martins interrompeu fornecimento de oxigênio em razão de dívida do governo do Amazonas

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.jan.2021 | 18h49 |

Circula por grupos de WhatsApp um áudio que afirma que o governo do Amazonas tem uma dívida de R$52 milhões com a White Martins, fabricante de gases medicinais que fornece oxigênio para hospitais do estado. Segundo o autor da mensagem, em razão do débito, a White Martins teria dito que só “iria liberar uma parte do oxigênio.” O mesmo áudio acusa o governador Wilson Lima (PSC) de pedir para a polícia vetar que empresas que são de oposição vendam o produto. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“(…) O governo do estado do Amazonas deve à White Martins R$52 milhões. A White Martins, por sua vez, com essa demanda de oxigênio, falou para o governo do estado que iria liberar uma parte do oxigênio e que o governo teria que pagar a propaganda (…). Porque dinheiro em caixa tem, então por que não paga? Pague e eu libero.”

Mensagem de áudio que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

O áudio analisado pela Lupa é falso. Não é verdade que a White Martins interrompeu parte do fornecimento de oxigênio para o governo do Amazonas em razão de dívida. Em nota, a assessoria de comunicação da empresa afirmou que tem dedicado “todos os esforços para fornecer a maior quantidade possível de oxigênio, independentemente de qualquer débito financeiro”. A empresa é responsável por 90% do fornecimento de oxigênio para a rede pública de saúde do Amazonas.

O governo amazonense também negou, em nota via WhatsApp, que tenha dívida com a fornecedora de gás. Segundo a secretaria de comunicação, nos anos 2019 e 2020 foram pagos R$29,6 milhões à White Martins. “Havia uma dívida remanescente com a empresa, no valor de R$1,2 milhão, referente ao ano de 2018, e foi feita negociação em novembro do ano passado. A primeira parcela dessa negociação, no valor de R$100 mil, foi paga em dezembro de 2020”, diz a nota.


“(…) Nisso, o governador não quer comprar do Marcelo Dutra [dono Carboxi, empresa localizada em Manaus que produz e comercializa gases medicinais] porque ele é oposição ao governador. Então o que o governador fez? Fez com que a polícia, a mando dele, fosse para frente das fábricas que não são do governo, digamos assim, que não votam nele, que não apoiam ele, para que eles não vendam oxigênio. (…) Como a White Martins ele deve, mas não queria pagar e teve que pagar para ter oxigênio, as outras, que são oposição a ele, ele está vetando a venda (…)”

Mensagem de áudio que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

O áudio analisado pela Lupa é falso. Diferentemente do que afirma o autor da mensagem, a Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas emitiu, na última quinta-feira (14), uma notificação administrativa extrajudicial a 17 indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) requisitando estoque ou produção de oxigênio para utilizar nas unidades de saúde da rede estadual. Ou seja, o governo não vetou outras empresas de venderem oxigênio e, sim, requisitou que também forneçam ao estado.  

Também não procede a informação de que o governador tenha pedido para que a polícia interferisse na venda de oxigênio de outras empresas. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas afirmou que a informação é “mentirosa” e que “não há qualquer orientação nesse sentido.”

Procurado pela Lupa, Marcelo Dutra, citado no áudio, não atendeu as ligações e nem respondeu às mensagens. Por telefone, uma funcionária da empresa Carboxi afirmou que Dutra já teria falado à imprensa local em coletiva e que não daria mais entrevistas sobre o assunto.

Em entrevista ao site Marcos Santos, publicada nesta sexta (15), o empresário e ex-secretário municipal e estadual do meio ambiente afirmou que a produção da Carboxi é de 8 mil metros cúbicos diários e que fornece para hospitais públicos e privados de Roraima. Ele também explicou que o excedente é repassado à White Martins. Isso porque só a multinacional tem contrato com o governo do estado, feito por meio de licitação.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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