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#Verificamos: É falso que Amapá tem uma das menores taxas de letalidade por Covid-19 do mundo

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.jan.2021 | 19h51 |

Circula pelas redes sociais que o Amapá tem uma das menores taxas de letalidade por Covid-19 do mundo. De acordo com a publicação, que apresenta um print do boletim sobre os casos da doença no estado, esse índice se deve ao fato de que o Amapá realiza “tratamento precoce”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Amapá faz tratamento precoce (…)”

Post publicado no Facebook que, até as 13h30 do dia 25 de janeiro de 2021, tinha 143 compartilhamentos

VERDADEIRO

A informação analisada pela Lupa é verdadeira. Desde maio, o governo do Amapá adotou um protocolo de atendimento a pacientes com Covid-19. Esse protocolo inclui a recomendação de hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina, ivermectina e nitazoxanida para o tratamento de pessoas com quadros leves da doença. Em novembro, o governo estadual chegou a distribuir 37.944 potes de ivermectina e 3.334 potes de cloroquina para unidades de saúde estaduais e municipais da capital Macapá.

Como já explicado pela Lupa, De acordo com instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NHI, na sigla em inglês); e entidades brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, não há, até o momento, medicamentos comprovadamente eficazes no tratamento ou prevenção da Covid-19. Não há, portanto, “tratamento precoce”.

Procurada pela Lupa, a Secretaria Estadual de Saúde do Amapá não respondeu até o fechamento desta checagem.


“(…) e tem uma das menores taxas de letalidade do mundo!”

Post publicado no Facebook que, até as 13h30 do dia 25 de janeiro de 2021, tinha 143 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora o Amapá tenha a segunda menor taxa de letalidade por Covid-19 no Brasil, ao lado de Roraima, não é verdade que seja uma das taxas mais baixas do mundo. Em 24 de janeiro, o índice de letalidade da doença no estado era de 1,4%, de acordo com o Painel Covid-19 do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass). Em comparação com outros países do mundo, 58 nações têm um índice menor que o do estado do Norte do Brasil. É o caso do Sri Lanka (0,5%), Noruega (0,9%), Venezuela (0,9%), Cuba (0,9%) e Uruguai (1%), por exemplo. Os dados são do centro de pesquisa sobre o coronavírus da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Além disso, se comparadas as taxas de mortalidade, ou seja, quantas pessoas estão morrendo por Covid em relação a uma determinada população, o Amapá é o sexto estado com maior número de mortos a cada 100 mil habitantes no Brasil: 121,1 pessoas. Esse dado é acima da média nacional, que era de 103 em 24 de janeiro de 2021. A mortalidade pela doença no estado está próxima, inclusive, do quarto pior índice de mortalidade no mundo, o Peru, onde a taxa é 123,8 para 100 mil habitantes. Reino Unido, atualmente, tem o pior desempenho nesse quesito: 147,5.

De acordo com o médico e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Guilherme Werneck, a taxa de letalidade indica o número de óbitos dividido pelo número de casos da doença. Embora letalidade e mortalidade estejam relacionadas, são dados diferentes. “A gente sabe que o diagnóstico dos casos depende de muita coisa. Por exemplo, lugares onde tem mais testagem da Covid-19, proporcionalmente a letalidade vai cair. Um tratamento precoce, portanto, não pode ser usado como justificativa de comparação sem levar em consideração o sistema de diagnóstico. E isso é muito difícil de padronizar”, explicou, por telefone. 

Ainda segundo Werneck, a taxa de mortalidade é a que mede o risco de morrer. É uma medida mais fidedigna em termos de comparação com outros lugares, embora fatores como estrutura etária da população, por exemplo, possam variar. “No Amapá, a taxa de mortalidade está acima da média brasileira, ou seja, quem for para o Amapá tem mais risco de morrer do que em outros estados. E essa medida é mais importante do que a de letalidade”, enfatizou.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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CONTRADITÓRIO
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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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