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#Verificamos: É falso que Fernanda Torres disse torcer para que Covid-19 matasse pessoas para ‘abreviar governo’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
26.jan.2021 | 17h38 |

Circula pelas redes sociais uma frase atribuída à Fernanda Torres na qual ela teria dito que o novo coronavírus tem a missão de “abreviar o governo”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Dane-se o povo e os cadáveres, se o vírus cumprir ‘sua missão’ de ‘abreviar’ o governo, tudo está bem.”

Frase atribuída à atriz Fernanda Torres em post no Facebook que, até as 15h40 do dia 26 de janeiro de 2021, tinha 248 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não existe nenhum registro público de entrevistas ou nas redes sociais de Fernanda Torres que comprove que ela tenha feito essa afirmação. Em um comunicado oficial publicado em seu perfil no Instagram, a atriz e escritora disse que o texto entre aspas não corresponde a um posicionamento seu. “Trata-se de uma notícia falsa, não compartilhe e comunique aos seus amigos”, alertou.

Peças de desinformação similares circularam em março e em junho do ano passado e também foram desmentidas pela artista. Esse conteúdo viralizou pela primeira vez depois que ela fez uma crítica, em um artigo na Folha de São Paulo, à participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em atos pró-governo no início da pandemia. No texto, publicado em 22 de março, a artista também menciona algumas leituras sobre a peste negra e o século 14 na Europa e critica o bispo Edir Macedo que, à época, disse a fiéis que não se preocupassem com a propagação do coronavírus.

Em um dos parágrafos, Fernanda escreveu: “Torço para que o centro ressurja dessa emergência. E que o coronavírus, a exemplo da peste negra na Europa do século 14, venha abreviar o obscurantismo medieval travestido de liberal em que nos metemos.” Esse trecho foi interpretado de maneira equivocada e, desde então, ganhou diferentes versões.

A própria autora chegou a lamentar sobre os desdobramentos falsos do texto em um artigo no mesmo jornal, uma semana depois, intitulado Sigo na esperança de que esse horror nos una, mas aguardo um milagre, de 5 de abril: “Na semana passada, somada à expectativa indigesta do que virá, tive a infelicidade de ver um artigo que escrevi aqui, neste espaço, virar alvo das redes insociáveis”, escreveu. “(…) Essa crônica, no entanto, foi replicada por quem viu valor nela e acabou chamando atenção de grupos dedicados a agredir, distorcer e ameaçar online. Os ‘fake posts’ afirmavam que eu torcia para que o vírus matasse multidões. Entre os xingamentos, havia o de um homem que desejava que eu e minha mãe morrêssemos com a Covid-19 na porta de um hospital, sem respiradores que nos salvassem a vida”, lamentou.

Esse conteúdo também foi verificado pelo Boatos.org e pelo Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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