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#Verificamos: É falso que Maria Flor ‘abocanhou’ R$ 10 milhões com projetos via Lei Rouanet

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
29.jan.2021 | 19h44 |

Circula pelas redes sociais que a atriz Maria Flor teria recebido R$ 10 milhões em projetos culturais viabilizados pela Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. A publicação sugere que esse valor foi recebido durante as gestões do PT e que isso explicaria o “desespero” da artista — em 18 de janeiro, ela publicou um vídeo em seu perfil no Instagram fazendo críticas ao governo atual. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Você sabia que a Maria Flor abocanhou 10 milhões de reais com projetos artísticos da Lei Rouneat (sic) nos governos Petistas? Tá explicado o desespero.”

Post publicado no Instagram que, até as 15h30 do dia 29 de janeiro de 2021, tinha recebido mais de 1.973 curtidas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Maria Flor nunca recebeu recursos da Lei Rouanet para realização de projetos culturais, tampouco a produtora da qual é uma das sócias, a Fina Flor Filmes. A Fina Flor Filmes já viabilizou a realização de obras por meio da Lei do Audiovisual, um dos principais mecanismos de fomento à indústria do audiovisual no Brasil. Assim como a Lei de Incentivo à Cultura, essa lei permite que empresas destinem até 4% dos seus impostos para projetos audiovisuais previamente aprovados pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). O governo, então, abre mão de um percentual desse imposto que seria arrecadado e a verba é destinada a essas produções.

Também não é verdade que a artista “abocanhou” R$ 10 milhões, como sugere a peça de desinformação. Em uma consulta à base de dados da Ancine, é possível localizar todos os projetos apresentados pela produtora da qual a atriz é sócia, oito no total. Essas produções, propostas entre 2014 e 2018, somaram um total de R$ 924 mil de recursos captados pela Lei do Audiovisual — e não R$ 10 milhões.

De todos os aprovados, três não obtiveram verba e foram cancelados (veja aqui, aqui e aqui). Um ainda segue aberto para captação, um documentário sobre o jornalista Samuel Wainer (1910-1980). Os outros são o documentário Ensaio, lançado em 2018, que captou R$ 230 mil; o desenvolvimento do projeto Inclassificáveis, que captou R$ 100 mil; a série documental MMA em Família, que foi ao ar em 2016 no canal + Globosat e teve R$ 294 mil de valores captados; e, por fim, o desenvolvimento do roteiro do longa-metragem No Ano que Vem, contemplado no edital de desenvolvimento de projetos da Ancine para receber R$ 100 mil.

A informação de que todos esses projetos foram aprovados nas gestões do PT também não procede. Das oito propostas, cinco foram submetidas e aprovadas pela Ancine entre 2016 e 2018, período no qual Michel Temer (MDB) era presidente. Os outros foram em 2014 e 2015, quando Dilma Rousseff (PT) estava à frente do país. Como dito acima, há um projeto captando recursos atualmente.

Procurada pela Lupa, Maria Flor afirmou, por e-mail, que cada projeto gerou emprego para um número grande de pessoas. “Imagino que pelo menos 200 empregos, com todos os projetos somados”, disse. “As leis de incentivo à cultura e a Lei do Audiovisual são imprescindíveis para a produção de cultura no Brasil. É o mecanismo que temos para realizar filmes, peças, shows e tantas outras atividades culturais que movimentam a economia e geram empregos diretos e indiretos”, escreveu.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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