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#Verificamos: É falso que o uso de hidroxicloroquina foi reavaliado nos Estados Unidos após saída de Trump

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
01.fev.2021 | 18h58 |

Circula pelas redes sociais que o uso da hidroxicloroquina foi reavaliado nos Estados Unidos e que o medicamento passou a ser visto de forma favorável por instituições do país. De acordo com a publicação, baseada em um conteúdo do site Brasil Sem Medo, essa mudança se deve à saída de Donald Trump da presidência. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“EFEITO BIDEN

Tratamento precoce começa a ser visto com outros olhos

Após a saída de Donald Trump, uso da hidroxicloroquina é reavaliado favoravelmente nos EUA.”

Título de conteúdo de site publicado no Facebook que, até as 14h30 do dia 1 de fevereiro de 2021, tinha sido compartilhado 700 vezes

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Os Estados Unidos não reavaliaram o uso da hidroxicloroquina como tratamento precoce da Covid-19 depois que o democrata Joe Biden tomou posse como presidente. Diferentemente do que sugere a publicação, desde junho de 2020 a FDA (Food and Drug Administration, na sigla em inglês), órgão do governo norte-americano similar à Anvisa no Brasil, não recomenda o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina como profilaxia para a doença. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NHI, na sigla em inglês) também não indica esses medicamentos para tratar a infecção pelo novo coronavírus. Esse posicionamento não mudou depois da conclusão do mandato de Donald Trump, em 20 de janeiro.

A peça de desinformação é baseada em um texto publicado no site Brasil Sem Medo. Esse texto cita como fonte um artigo de opinião publicado originalmente em agosto de 2020 no The American Journal of Medicine. No documento, os autores afirmam, com base na avaliação de estudos do começo do ano passado, ainda no início da pandemia, que a hidroxicloroquina é ineficaz para tratar casos hospitalares de Covid-19, mas que em pacientes ambulatoriais poderia reduzir a progressão da doença.

Entretanto, diversos estudos realizados depois da publicação desse artigo mostraram que a hidroxicloroquina também não tem eficácia em pacientes ambulatoriais e, além disso, pode causar efeitos adversos. Essas pesquisas foram enumeradas no site do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. O NHI também disponibilizou em sua página testes que confirmam os efeitos colaterais do medicamento, incluindo o aumento de arritmia cardíaca.

Como já explicado pela Lupa, em 1º de janeiro de 2021 o American Journal of Medicine disponibilizou uma versão revisada do mesmo artigo de agosto do ano passado. Isso gerou uma interpretação equivocada acerca do conteúdo, que foi compartilhado como se fosse atual, e não do ano passado. Vale pontuar que Trump ainda era presidente dos Estados Unidos na data em que o artigo foi republicado.

O conteúdo do site Brasil Sem Medo também cita um artigo publicado no dia 18 de janeiro por pesquisadores de instituições chinesas que avaliaram a eficácia e segurança da hidroxicloroquina em comparação com a cloroquina em pacientes com casos moderados e graves de Covid-19. A partir da análise de 88 casos, num estudo randomizado, eles observaram que a hidroxicloroquina pode ser promissora na modulação do sistema imunológico, mas concluíram que mais estudos são necessários para estabelecer a segurança e eficácia do medicamento. A pesquisa foi enviada para publicação ainda em agosto.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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