A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

#Verificamos: É falso que governo do RN deixou estragar 4 mil doses da vacina da Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.fev.2021 | 14h13 |

Circula nas redes sociais a informação de que o governo do Rio Grande do Norte desperdiçou 4 mil doses da vacina contra a Covid-19. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“1 ano de pandemia e nem uma geladeira essa criatura [Fátima Bezerra] providenciou. 4.000 doses estragadas”
Legenda de post publicado no Facebook que, até as 17h de 4 de fevereiro de 2021, tinha 486 compartilhamentos

FALSO

É falso que o governo do Rio Grande do Norte tenha deixado estragar 4 mil doses da vacina CoronaVac, contra a Covid-19. O número se refere à estimativa de perda operacional de 5% e consta de nota técnica publicada em 18 de janeiro pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte (Sesap-RN). A estimativa, também chamada de reserva técnica, não é exclusividade do estado e é estabelecida em norma técnica federal ― inclusive prevista no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (página 39), do Ministério da Saúde.

A perda operacional de doses da vacina pode ocorrer por diversos motivos, como quebra de frasco, problemas no transporte ou mal acondicionamento das vacinas. No caso do Rio Grande do Norte, a estimativa feita foi de 5%, o que corresponderia a quase 4 mil doses, já que devem ser vacinadas 39.258 pessoas na primeira etapa de vacinação da Covid-19. Mas isso não quer dizer que o estado deixou “estragar” esse total.

De acordo com o Plano Nacional de Imunização Contra a Covid-19, para vacinar todas as pessoas que estão incluídas na Fase I, são necessárias 31 milhões de doses de vacina. O número leva em conta a necessidade de duas doses em cada pessoa mais 5% de perda operacional. O cálculo é feito com base na vacina da AstraZeneca/Oxford. O documento explica, por exemplo, que a estimativa de perda operacional é de 10% para o imunizante da Pfizer, pois demanda outra tecnologia de armazenamento, a exemplo de freezers com capacidade de armazenamento de 70 graus negativos.

Em nota, a Sesap-RN informou que pode não acontecer a perda, o que permitirá ampliar a distribuição das doses a mais pessoas que estão previstas como prioridade. “Este percentual em estoque, indicado pelo Programa Nacional de Imunização, torna-se imprescindível para que se possa repor as doses que por ventura possam ser ‘perdidas’, visando garantir a vacinação do público estimado nesta etapa”, explica.

Apesar disso, o Ministério Público Federal diz que vai investigar a possível perda operacional de vacinas no Rio Grande do Norte. Segundo o procurador da República Kleber Martins, que abriu o procedimento de apuração, a nota técnica da Sesap causou “perplexidade” na população “porque lhe permitiu inferir que o órgão de saúde máximo do Estado aceitava com elevada naturalidade que mais de 4 mil doses de um dos itens mais importantes do mundo na atualidade fossem simplesmente perdidas durante a vacinação, diz.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Marcela Duarte

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo