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#Verificamos: É falso que estudo ‘prova’ que máscaras acumulam micróbios que podem causar câncer

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
11.fev.2021 | 19h03 |

Circula pelas redes sociais que o uso de máscaras no longo prazo provocaria uma contaminação de bactérias nos pulmões, causando posteriormente câncer. O artigo diz que essa conclusão veio de uma pesquisa publicada na edição de fevereiro da revista Cancer Discovery por um grupo de cientistas. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Estudo diz que uso de máscara a longo prazo cria micróbios que contribuem para o câncer de pulmão”

Título de texto do site Stylo Urbano que, até as 12h30 de 11 de fevereiro de 2021, tinha mais de 1,5 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O estudo, liderado pelo pesquisador Leopoldo Segal, foi publicado na revista Cancer Discovery e não analisou o uso de máscaras em nenhum momento. Em nota, a Escola Grossman de Medicina da Universidade de Nova York, instituição onde Segal leciona e o estudo foi conduzido, contestou a associação feita pelo texto que circula nas redes sociais. “Foram feitas tentativas, mostradas pela mídia, de ligar um estudo (…) a afirmações de que o uso prolongado de máscaras aumenta os níveis de micróbios pulmonares, leva a inflamação dos pulmões e contribui para a patologia de câncer de pulmão. Isso é impreciso, e qualquer tentativa de relacionar as descobertas do estudo do Dr. Segal ao uso de máscaras é falaciosa”, diz o texto.

A pesquisa de Segal verificou como microorganismos presentes no sistema respiratório inferior afetavam o prognóstico — ou seja, a chance de cura — de pacientes com câncer de pulmão. Os resultados mostraram que aqueles que tinham um prognóstico pior possuíam uma maior quantidade de bactérias no sistema respiratório inferior, na comparação com as pessoas com melhor chance de se recuperarem da doença. A pesquisa em nenhum momento analisou os motivos para a presença maior ou menor de bactérias nos pulmões. 

Além disso, a análise ocorreu entre março de 2013 e outubro de 2018, ou seja, muito antes da pandemia. Foram observados 148 pacientes. Os cientistas que realizaram o estudo também usaram camundongos para analisar a relação das bactérias com o câncer. Máscaras não são citadas em nenhum momento do texto. De acordo com os autores, o estudo pode ter implicações no tratamento da doença. Eles destacam, contudo, que é necessário saber mais sobre a interação entre as bactérias do sistema respiratório inferior e o câncer. 

Em entrevista por e-mail à Reuters, que também checou um post com essa desinformação, Segal afirmou que não há nenhuma base científica para suspeitar que o uso de máscaras aumenta a quantidade de bactérias que chega aos pulmões. Segundo ele, as principais fontes desses microorganismos são a boca e a orofaringe (parte posterior da garganta). A quantidade que chega ao pulmão depende mais da higiene bucal e da ingestão de comida.

Uma versão semelhante dessa checagem foi feita por Reuters, Maldita.es, Aos Fatos e Health Feedback.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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