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#Verificamos: É falso que CDC inflou em 1.600% o número de mortes por Covid-19 nos EUA

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.fev.2021 | 20h17 |

Circula nas redes sociais a informação de que um estudo comprova que o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) inflou em 1.600% o número de mortes por Covid-19 nos Estados Unidos. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Novo estudo afirma que o CDC inflou em 1.600% o número de mortes por Coronavírus”
Título de texto publicado pelo site Stylo Urbano

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O estudo em questão faz uma interpretação equivocada das estatísticas publicadas por um levantamento que é feito pelo CDC. Os autores do artigo presumem que as mortes que mencionam apenas Covid-19 (sem outras comorbidades) podem ser contadas, o que supostamente estaria errado. O estudo foi publicado em outubro de 2020 e, de lá para cá, foi desmentido pela instituição e por outros pesquisadores.

O estudo questiona se uma mudança na orientação fornecida pelo CDC sobre o preenchimento de atestados de óbito teria mudado o número de mortes atribuídos à Covid-19. Os autores do estudo chamaram a orientação do CDC, publicada em março de 2020, de “uma alteração caprichosa na coleta de dados compromete a precisão, qualidade, objetividade, utilidade e integridade de seus dados publicados”.

O documento do CDC, de 24 de março de 2020, explica a criação de um novo código para ser incluído em certidões de óbitos, com o objetivo de capturar com precisão os dados de mortalidade pelo novo coronavírus. “Covid-19 deve ser relatado na certidão de óbito para todos os falecidos onde a doença causou ou se presume que causou ou contribuiu para a morte. Os certificadores devem incluir o máximo de detalhes possível com base em seu conhecimento do caso, registros médicos, exames laboratoriais etc”, aponta.

De acordo com o estudo, se o CDC tivesse usado as diretrizes de 2003, o total de óbitos por Covid-19 seria consideravelmente menor do que o relatado atualmente. Como parâmetro, afirma que os dados do CDC mostram que apenas 6% das 161.392 fatalidades por Covid-19, na ocasião em que o estudo foi publicado, não mencionavam qualquer comorbidade. Ou seja, na verdade, o CDC deveria contabilizar somente 9.684 óbitos por Covid-19, em vez de 161.392. Essa interpretação é completamente equivocada: isso significa que uma pessoa que morreu de insuficiência respiratória causada pelo novo coronavírus, por exemplo, não deveria ser contabilizada como uma vítima da doença.

Como a Lupa explicou em setembro de 2020, em 6% das mortes, o novo coronavírus foi a única causa mencionada nos atestados de óbitos, ou seja, não havia nenhuma outra condição relatada. Nos outros 94% dos casos, outras ocorrências são mencionadas junto à Covid-19. Isso inclui, contudo, sintomas relacionados à própria doença, como pneumonia e insuficiência respiratória, além de comorbidades que podem ter contribuído, mas que não foram a causa principal.

Em nota, a assessoria do CDC explicou que o número de mortes por Covid-19 não seria substancialmente diferente sob a orientação anterior. “Tanto as antigas quanto as novas diretrizes colocam uma ênfase na importância de relatar uma sequência causal lógica, começando com a causa imediata e voltando à causa subjacente (a doença ou lesão que inicia a cadeia de eventos que levam à morte)”.

O CDC publica semanalmente dados sobre condições adicionais presentes em pacientes que morreram com Covid-19. Essas outras doenças ou condições encontradas em um paciente são chamadas de comorbidades. As informações são coletadas de atestados de óbitos que podem ter uma ou mais causas ou condições listadas que contribuíram para a morte do paciente, conforme determinado com base na experiência médica. A causa básica da morte é a condição que deu início a uma série de eventos que culminou com a morte da pessoa. O último levantamento mostra mais de 460 mil óbitos por Covid-19 nos Estados Unidos.

À rede norte-americana ABC, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, reforçou as informações oficiais do CDC. “Isso não significa que alguém com hipertensão ou diabetes que morre de Covid não morreu de Covid-19.”

Checagem similar foi feita por veículos internacionais, como o USA Today e Politifact.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés e Marcela Duarte

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