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#Verificamos: Relatos de eventos adversos não provam que vacinas contra Covid-19 causaram cegueira no Reino Unido

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
23.fev.2021 | 19h44 |

Circula pelas redes sociais que pelo menos cinco pessoas ficaram cegas no Reino Unido depois de tomarem vacinas contra a Covid-19. A publicação diz ainda que os imunizantes causaram problemas oculares em 600 pessoas. São citadas como supostas responsáveis pelos problemas as vacinas da Pfizer/BioNTech e da Universidade de Oxford/AstraZeneca, adotadas naquele país. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Vacinas Causam 600 Novos Casos De Doenças Oculares E Deixam 5 Pessoas Cegas, De Acordo Com O Governo Do Reino Unido”

Título de texto publicado pelo site ContraFatos que, até as 12h de 23 de fevereiro de 2021, tinha 190 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Os relatos sobre doenças oculares e cegueira após a vacinação do Reino Unido são preliminares e não devem ser interpretados como uma consequência da aplicação dos imunizantes. O alerta é feito pelo próprio governo britânico, no relatório que contabiliza esses e outros eventos adversos suspeitos. Os dados vêm de um sistema da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA, na sigla em inglês), os Yellow Cards (Cartões Amarelos, em português). “É, portanto, importante que as reações adversas suspeitas descritas neste relatório não sejam interpretadas como efeitos colaterais comprovados das vacinas de Covid-19”, diz o texto.

Equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) brasileira, a MHRA acompanha de perto a aplicação das vacinas contra Covid-19 no Reino Unido. O órgão encoraja todas as pessoas a relatarem qualquer problema identificado após a vacinação, mesmo se não forem profissionais de saúde. “Pedimos que qualquer suspeita seja informada, mesmo se o responsável pelo relato não tiver segurança de que foi causada pela vacina”, explica a MHRA, no site que traz todos os dados sobre os Cartões Amarelos recebidos desde o início da vacinação contra o novo coronavírus

Trata-se, portanto, de uma informação inicial que será investigada. “Parte do nosso papel de monitoramento inclui revisar relatos de efeitos colaterais suspeitos”, diz a MHRA. “Alguns eventos poderiam ter ocorrido de qualquer forma, independentemente da vacinação. Isso acontece quando milhões de pessoas são vacinadas, e especialmente quando a maior parte das vacinas é aplicada nas pessoas mais idosas e nas pessoas que têm doenças subjacentes.”

De acordo com a versão mais recente do relatório da MHRA, que traz dados apurados entre 8 de dezembro de 2021 e 7 de fevereiro, foram aplicadas no Reino Unido 8 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech e 5 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca. A agência recebeu e analisou 24.207 Cartôes Amarelos sobre o imunizante da Pfizer/BioNTech, citando 70.314 reações suspeitas, e 20.428 referentes à Oxford/AstraZeneca, com 73.883 reações suspeitas.

A conclusão foi que a maioria dos problemas relatados refere-se a reações no local da aplicação e a sintomas generalizados similares aos de uma gripe, como dor de cabeça, calafrios, fadiga, náusea, febre, tontura, fraqueza, dores musculares e taquicardia. “Após o uso em larga escala dessas vacinas no Reino Unido, a maioria das reações adversas suspeitas até agora confirmam o perfil de segurança visto nos ensaios clínicos”, informa a MHRA no relatório. “Para os casos de outras condições médicas reportadas em associação temporal com a vacinação, a evidência disponível não sugere que a vacina tenha causado o evento.”

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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