A PRIMEIRA AGÊNCIA DE FACT-CHECKING DO BRASIL

#Verificamos: É falso que cloroquina foi recomendada como forma de tratamento durante gripe espanhola

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.fev.2021 | 11h47 |

Circula pelas redes sociais que a cloroquina foi usada pela população durante a pandemia de gripe espanhola como tratamento. O texto circula junto com uma foto de um anúncio que recomenda o tratamento com um comprimido de “chloro quinino” para melhorar os sintomas da gripe. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Desde 1918… só os médicos formados no período petista não sabem…”
Texto em imagem que, até às 11h do dia 25 de fevereiro de 2021, tinha sido compartilhado por 1,5 mil pessoas no Facebook 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A cloroquina foi sintetizada em 1934, ou seja, depois da pandemia de gripe espanhola. Sendo assim, não seria possível esse medicamento ter sido utilizado como forma de tratamento para pessoas infectadas. Na verdade, o anúncio que circula pelo Facebook fala sobre “chloro quinino”, ou cloridrato de quinino, uma droga diferente da cloroquina. Além disso, essa droga não é eficaz contra a gripe, assim como a cloroquina não é eficaz contra a Covid-19.

O anúncio foi publicado originalmente em 3 novembro de 1918 no jornal “Minas Geraes”, segundo o livro “A bailarina da morte: A gripe espanhola no Brasil”, de Lilia Schwarcz e Heloisa Murgel. O texto foi feito por uma farmácia mineira que pretendia vender o cloridrato de quinino mesmo sem que o remédio tivesse eficácia comprovada para gripe espanhola. Em setembro de 2020, o jornalista Ancelmo Goes, do jornal O Globo, reproduziu o anúncio em sua coluna.

A gripe espanhola teve duas grandes ondas em 1918. Ao todo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia infectou um terço da população do planeta, o que corresponde a cerca de 500 milhões de pessoas. No Brasil, os primeiros registros de infectados surgiram em setembro de 1918. Segundo a Fiocruz, as autoridades brasileiras desconheciam medicamentos eficazes no tratamento da doença e a recomendação era evitar aglomerações. 

“Nos jornais multiplicavam-se receitas: cartas enviadas por leitores recomendavam pitadas de tabaco e queima de alfazema ou incenso para evitar o contágio e desinfetar o ar. Com o avanço da pandemia, sal de quinino, remédio usado no tratamento da malária e muito popular na época, passou a ser distribuído à população, mesmo sem qualquer comprovação científica de sua eficiência contra o vírus da gripe”, diz o texto. 

A cloroquina e a chloro quinina são medicamentos diferentes. Segundo o Conselho Federal de Química, o cloridrato de quinina, também conhecido como chloro quinino, é de origem natural, produzido a partir de cascas da árvore de cinchona, e foi descoberto em 1820. A cloroquina, por sua vez, é de origem sintética, e foi desenvolvida em 1934. Eles apresentam fórmula molecular, fórmula estrutural e massa molecular diferentes. Ambos são usados no tratamento de malária.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo