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#Verificamos: É falso que Camilo Santana disse que pagaria auxílio de R$ 1 mil ao rebater Bolsonaro

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
01.mar.2021 | 17h48 |

Circula nas redes sociais uma fala atribuída ao governador do Ceará, Camilo Santana (PT), com críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Segundo a publicação, o gestor teria afirmado que, se fosse preciso, pagaria um auxílio emergencial de R$ 1.000. “Mas quem manda no Ceará sou eu, seu égua”, teria dito. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Camilo Santana rebate Bolsonaro e afirma: ‘Se precisar eu pago auxílio de 1000, mas quem manda no Ceará sou eu, seu égua!’”
Texto de post publicado no Facebook que, até as 13h de 1º de março de 2021, tinha mais de 210 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Nas redes sociais do governador (Twitter, Facebook e Instagram) não há nenhuma menção sobre a declaração do post, tampouco na imprensa. Por WhatsApp, a assessoria de imprensa da Casa Civil do Ceará afirmou que o post é falso. “Sequer é o linguajar do governador”. Além disso, apesar de terem sido adotadas algumas medidas pelo governo estadual para amenizar o impacto da pandemia da Covid-19, a Casa Civil informou que não há nenhum auxílio emergencial nos moldes do governo federal destinado a desempregados, por exemplo.

Nos últimos dias, Camilo Santana tem feito diversas críticas públicas ao governo federal. Na quinta-feira (25), ao comentar a visita de Bolsonaro ao Ceará, o governador afirmou no Twitter que a presença do presidente no estado era “algo frontalmente contrário à gravíssima crise sanitária que vivemos neste momento”, devido às aglomerações provocadas. E que, por isso, não participaria do evento. “Tenho todo respeito à autoridade, mas não posso compactuar com aquilo que considero um grave equívoco”, escreveu.

Durante a visita que fez a Caucaia (CE), na sexta-feira (26), Bolsonaro fez declarações com ataques a governadores, devido às medidas preventivas adotadas por causa da pandemia da Covid-19. “O governador que fechar seu estado, o governador que destrói emprego, ele é quem deve bancar o auxílio emergencial”.

Nesta segunda-feira (1º), Camilo Santana fez mais críticas ao governo federal pelo Twitter. Bolsonaro postou no domingo (28) uma série de valores que, segundo ele, foram enviados aos governos estaduais no combate à Covid-19. O governador do Ceará rebateu, afirmando que as informações estavam “distorcidas”. “Lamentável que o Sr presidente da República, além de desrespeitar normas sanitárias o tempo inteiro, leve seu tempo a espalhar informações distorcidas e promover discórdia com governadores, quando deveria tentar unir o país para superarmos juntos a gravíssima crise que vivemos”, disse.

Auxílio Emergencial

O governo do Ceará adotou algumas políticas de auxílio emergencial para amenizar o impacto da pandemia da Covid-19. Na quarta-feira (24), Camilo Santana sancionou medidas de apoio para o setor de eventos, com auxílio financeiro no valor de R$ 1 mil, divididos em duas parcelas de R$ 500. O governo espera atender a 10 mil profissionais no estado.

Também anunciou, em janeiro deste ano, a ampliação do número de famílias no programa Mais Infância Ceará, de 48 mil para 70 mil. A medida paga um valor mensal de R$ 100 a famílias que tenham crianças de 0 a 5 anos e 11 meses, que se enquadrem na situação de alta vulnerabilidade social. Também foi anunciado ano passado um auxílio emergencial a catadores de resíduos sólidos, com um valor mensal de R$ 261,25, por até seis meses. No total, 1.345 pessoas foram beneficiadas.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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