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#Verificamos: É falso que Brasil terá que entrar na fila de espera para comprar vacinas

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.mar.2021 | 16h18 |

Circula por grupos de WhatsApp que o Brasil terá que entrar na “fila de espera” para adquirir vacinas contra a Covid-19 que já têm eficácia comprovada. De acordo com a publicação, existem muitos países já negociando com os desenvolvedores desses imunizantes. Para as doses da Pfizer, por exemplo, existiriam outros 115 países na frente do Brasil aguardando a compra. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

 “(…) Na hipotese do Brasil comprar alguma vacina de eficácia comprovada terá que entrar na fila de espera. 

Sputinik: 67 países na frente
Pfizer: 115 paises na frnte
Moderna: 68 países na frente
Janssen: 55 paises na frente.

Não há condições de entregar vacinas para o Brasil em 2021.
O Brasil só pode contar com as vacinas do Butantã e da Fiocruz.
O resto é papo furado!”

Conteúdo que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Embora governos no mundo inteiro tenham alertado sobre a escassez de doses disponíveis, não é verdade que exista uma ‘fila’ com dezenas de países à frente do Brasil aguardando o recebimento das vacinas com eficácia comprovada contra a Covid-19. As quatro candidatas citadas no post — Sputnik V, Pfizer, Moderna e Janssen — devem se somar às vacinas do Instituto Butantan (CoronaVac) e da Universidade de Oxford/AstraZeneca, já disponíveis para a população, a partir de abril, segundo calendário divulgado por e-mail pelo Ministério da Saúde. As assessorias de imprensa da Janssen e da Pfizer negaram que exista uma fila de espera.

Em 3 de março, o Ministério da Saúde anunciou que avançaram as tratativas com as farmacêuticas Pfizer e Janssen e oficializou a intenção de compra de 138 milhões de doses no total – 100 milhões da Pfizer e 38 milhões da Janssen (dose única). Além dessas, em 25 de fevereiro o governo assinou contrato para compra de 20 milhões de doses da Covaxin, desenvolvida na Índia pela Precisa Medicamentos/Bharat Biotech. Segundo o calendário, essas doses chegarão ao país em março.

Contudo, apesar de os acordos com as farmacêuticas terem acelerado na última semana, a morosidade da vacinação no país é atribuída às negociações por parte do governo, e não apenas à pouca oferta de vacinas. Em 23 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a autorizar estados e municípios a comprar e a distribuir vacinas contra a Covid-19 caso o governo federal não cumpra o Plano Nacional de Imunização.

Procurada pela Lupa, a assessoria de imprensa da Pfizer, laboratório citado na publicação como o que tem mais países à espera (115 à frente do Brasil), informou, em nota, que 69 países já fecharam acordo para a compra da fórmula desenvolvida em parceria com a BioNTech — o Reino Unido e os Estados Unidos, por exemplo, iniciaram a imunização em dezembro do ano passado. A empresa não deu detalhes sobre os trâmites com o Brasil neste momento, mas o próprio Ministério da Saúde afirmou que estão previstas 100 milhões de doses desse imunizante para a população a partir do segundo trimestre de 2021.

As primeiras tentativas de negociação do laboratório norte-americano com o governo brasileiro foram em agosto do ano passado. Naquela época, a Pfizer ofereceu 70 milhões de doses e, de lá para cá, outras propostas foram feitas até a confirmação da intenção de compra na última quarta (3). O imunizante da empresa teve o registro definitivo concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro.

O acordo com a Janssen, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, também avançou. O Ministério da Saúde publicou em 3 de março que a compra de 38 milhões de doses está em fase final de negociação. Em comunicado, a empresa não deu detalhes sobre a transação, mas afirmou que “após a assinatura do contrato para a aquisição de vacinas (…) e autorização regulatória, a empresa disponibilizará sua vacina de dose única na quantidade e nas condições que vierem a ser acordadas”. Também afirmou que, em paralelo, segue trabalhando nos demais processos regulatórios junto à Anvisa para viabilizar a utilização da vacina “em um modelo sem fins lucrativos durante a pandemia”.

O imunizante da Janssen foi um dos últimos dentre os quatro citados a dar andamento ao estudo global de fase 3, em setembro do ano passado, e por isso os pedidos para uso emergencial foram realizados mais tarde que as outras candidatas. Em um comunicado feito em 28 de fevereiro, o laboratório informou que obteve autorização para uso emergencial nos Estados Unidos e que pretende entregar 20 milhões de doses para os norte-americanos até o final de março.

No Brasil, segundo informou o Ministério da Saúde, serão entregues 16,9 milhões de doses entre julho e setembro e mais 21,1 milhões de doses entre outubro e dezembro. A empresa ainda não tem registro para uso emergencial da Anvisa e deve fazer o pedido este mês.

Tratativas com Sputnik V e Moderna

O governo brasileiro também está negociando a compra de 10 milhões de doses da Sputnik V, vacina do Instituto Gamaleya, na Rússia, e que no Brasil tem parceria com o laboratório União Química. De acordo com o Ministério da Saúde, em abril serão importadas 400 mil doses. Em maio, serão 2 milhões e, por fim, em junho, mais 7,6 milhões de doses.

A Sputnik V já tem autorização para uso em 26 países. Para que fosse possível a negociação com o Brasil, a Anvisa reduziu uma etapa no processo de autorização de uso emergencial ao retirar a exigência de testes clínicos de fase três no país. A Lupa entrou em contato com a assessoria de imprensa da União Química, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.  

Em relação à vacina candidata da Moderna, o Ministério da Saúde informou na quinta (4) que estima adquirir 30 milhões de doses do imunizante para janeiro de 2022. Uma reunião realizada nesta sexta-feira (5), no entanto, alinhou a compra de 13 milhões de doses ainda em 2021. A vacina já foi aprovada para uso nos Estados Unidos, onde é aplicada desde dezembro, e em alguns países da Europa. A farmacêutica ainda não pediu registro junto à Anvisa e não consta no quadro de pedidos de autorização para uso no Brasil atualizado pela Agência..

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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