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#Verificamos: É falso que Brasil comprou todo estoque de vacinas da Pfizer e da Janssen

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.mar.2021 | 18h51 |

Circula pelas redes sociais que o governo brasileiro comprou todo o estoque de vacinas das farmacêuticas Pfizer e Janssen (Johnson & Johnson) disponível no mercado. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“GRANDE DIA
GOVERNO BOLSONARO COMPRA TODO ESTOQUE DAS VACINAS PFIZER E JOHNSON E JOHNSON DISPONÍVEIS NO MERCADO”
Texto em post publicado no Facebook que, até as 13h30 do dia 9 de março de 2021, tinha sido compartilhado 2,6 mil vezes

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O governo brasileiro ainda não comprou as vacinas da Pfizer e da Janssen contra a Covid-19, braço farmacêutico da Johnson & Johnson. Na verdade, em 3 de março, o Ministério da Saúde anunciou a intenção de compra dos imunizantes desenvolvidos por essas farmacêuticas — 100 milhões de doses da Pfizer/BioNTech e 38 milhões de doses da Janssen —, e a negociação ainda está em andamento. Até o fechamento desta verificação, os contratos ainda não tinham sido assinados.

As vacinas serão produzidas ao longo do ano; portanto, não há um estoque delas, como sugere a publicação. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o cronograma de distribuição é enviado à pasta pelos fornecedores dos imunizantes e está sujeito a constantes alterações em razão de ainda não haver um fluxo regular de produção da vacina. Isso quer dizer que, depois de compradas, as doses chegarão ao país na medida em que forem produzidas.

No caso da Pfizer, o governo estima que 14 milhões de doses — do total de 100 milhões em negociação — chegarão ao país em maio e junho caso o contrato seja fechado. Em nota, a assessoria de imprensa da Pfizer no Brasil informou que não tem informações sobre o estoque global, mas afirma que a “previsão é de que a empresa produza dois bilhões de doses da vacina até o final de 2021”. Essa quantidade será distribuída entre os países que já autorizaram o uso desse imunizante — os Estados Unidos e o Reino Unido, por exemplo, começaram a utilizá-lo já em dezembro do ano passado. Em 2020, cerca de 50 milhões de doses da vacina desenvolvida em parceria com a BioNTech foram produzidas.

Como mostrado pela Lupa, as primeiras tentativas de negociação do laboratório norte-americano com o governo brasileiro foram em agosto do ano passado. Naquela época, a Pfizer ofereceu 70 milhões de doses e, de lá para cá, outras propostas foram feitas até a confirmação da intenção de compra, em 3 de março. O imunizante da empresa teve o registro definitivo concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro.

Já a vacina da Janssen deverá chegar ao Brasil entre julho e setembro, segundo o calendário divulgado pelo Ministério da Saúde. A candidata da Johnson & Johnson ainda não tem autorização da Anvisa para uso emergencial no Brasil. Nos Estados Unidos, a fórmula recebeu o aval do Food and Drug Administration (FDA), também para uso emergencial, em 26 de fevereiro. Em um comunicado no dia 28 de fevereiro, o laboratório informou que as primeiras 20 milhões de doses únicas serão entregues aos norte-americanos em março e o total de 100 milhões até o fim do primeiro semestre. Esse dado mostra, portanto, que o montante em negociação com o Brasil não corresponde ao total da produção.

 Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Marcela Duarte

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