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Foto: Prefeitura de Suzano/Divulgação
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#Verificamos: É falsa carta aberta de empresários que critica lockdown

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
16.mar.2021 | 16h25 |

Circula nas redes sociais uma carta assinada pelos “empresários do município de Suzano” (SP). Nela, são feitas críticas às medidas de “lockdown” adotadas pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para diminuir os casos de Covid-19 no estado. No texto, que não tem assinatura de quaisquer entidades comerciais, os supostos empresários afirmam que vão descumprir as regras e pedem para as autoridades adotarem o que chamam de “tratamento precoce”, ou seja, o uso de medicamentos sem eficácia científica para combater o novo coronavírus. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

“CARTA ABERTA DOS EMPRESÁRIOS DO MUNICÍPIO DE SUZANO

Ao Sr. governador João Dória, prefeito Municipal RODRIGO ASHIUCHI, Vereadores, Comitê de Contingência ao Coronavírus e ao povo SUZANENSE. Informarmos que a partir do dia 17 de março de 2021, não aceitaremos e muito menos seguiremos qualquer decreto que impeça qualquer pessoa no Município de Suzano de exercer seu Direito Constitucional da Livre Iniciativa (Art. 1o, IV, CF e Art. 170, CF). Qualquer novo decreto que impeça o trabalho irá comprometer outro Direito Constitucional, o da Dignidade da Pessoa Humana (Art. 1o, III, CF) seja para Empresários, Colaboradores, Funcionários Públicos, Aposentados e outros, pois, além de inviabilizar a continuidade de atividades, demissão em massa, quem tem seus proventos sofrerá com enorme redução em virtude da inflação no preço dos produtos. Pedimos que o Sr. Prefeito, Vereadores e Comitê de Contingência que esqueçam a política e adotem o tratamento precoce, transparência da vacinação e verbas, façam investimentos na área da saúde, aumento de leitos, insumos, estoque de medicamentos, EPIs, dentre outros que garantam atendimento médico a todos, bem como a fiscalização contínua de festas clandestinas, churrascos e aglomerações. Reiteramos que Distanciamento Social não é sinônimo de Proibição do Trabalho e Fechamento de Atividades, tendo em vista que 90% do comércio e serviços do Município não possuem aglomerações, devido a crise financeira. Dentro das lojas do centro, shoppings ou bairros, são raras as que possuem vários compradores simultâneos e as que possuem, devem controlar os acessos. Por fim, reiteramos ao Sr. Prefeito que não iremos seguir qualquer decreto que impeça o trabalho a partir do dia 17 do mês de março de 2021 e pede que não sejam editados decretos neste sentido, pois a abertura não será uma opção do Sr. Prefeito, mas do povo SUZANENSE contra os decretos e a fiscalização, ante a situação, iremos praticar a legítima defesa (Art. 25 do Código Penal), pois estaremos defendendo nossas famílias, nossos amigos, nossos colaboradores, todo cidadão SUZANENSE e nosso patrimônio. Pedimos diálogo, honestidade, bom senso e que afastem-se do espectro político, permitindo o povo trabalhar, para que evitemos enfrentamentos desnecessários que possam causar danos, quaisquer que sejam entre quem precisa trabalhar e agente da administração pública, seja na legislação, ou fiscalização. Queremos a paz, saúde e acima de tudo, que todos sejam livres. Atenciosamente, Empresários de SUZANO=SP.”

Texto compartilhado no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O texto da suposta carta não é assinado por nenhuma entidade comercial. A Associação Comercial e Empresarial de Suzano (ACE Suzano) informou em seu site que a entidade não tem relação alguma com o documento e “repudia a disseminação de notícias falsas”. “A ACE Suzano, por meio de seu departamento jurídico, tem acompanhado as decisões judiciais e entende que pela atual jurisprudência não cabe questionamentos sobre as medidas de combate à pandemia adotadas pelo estado e pelo município neste momento mais grave da pandemia”, informa.

O mesmo texto vem circulando nas redes sociais adaptado para várias cidades, a exemplo de Joinville (SC), Ribeirão Preto (SP), Araguaína (TO), Umuarama (PR), entre outras. O conteúdo compartilhado no WhatsApp é sempre o mesmo, mudando apenas o nome da cidade e as autoridades locais (prefeito e governador). A origem da carta é desconhecida, mas vem se alastrando devido às medidas adotadas pelos governadores para amenizar os efeitos da pandemia da Covid-19.

Em Juiz de Fora (MG), diversas entidades comerciais, a exemplo Câmara de Dirigentes Lojistas do município (CDL/JF), informaram que trata-se de um boato. Em Taubaté (SP), a Associação Comercial e Industrial também nega a autoria. “O fato de não concordar com algumas decisões governamentais (e não concordamos com várias) não nos permite deixar de segui-las, pois normalmente são decretos que têm força de lei.” As associações comerciais de Caxias do Sul (RS) e Contagem (MG) também negaram a origem da carta.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) anunciou na quinta-feira (11) medidas mais duras para conter o avanço da pandemia de Covid-19. O decreto passou a valer na segunda-feira (15) e determina toque de recolher nos 645 municípios todos os dias das 20h às 5h. Também fica proibido o acesso a parques e praias. Haverá proibição completa a qualquer tipo de aglomeração, e o uso de máscaras deve ser intensificado em qualquer ambiente interno ou externo de acesso público.

Protestos contra ‘lockdown’

Por outro lado, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realizaram manifestações e carreatas no fim de semana contra as medidas de lockdown adotadas pelos governadores para diminuir os casos de Covid-19. Protestos ocorreram em diversas cidades pelo país, como Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em São Paulo, manifestantes em aglomeração foram vistos sem máscaras.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Marcela Duarte

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