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Morte de Major Olímpio levanta dúvidas sobre relação entre doação de órgãos e Covid-19

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.mar.2021 | 16h40 |

Na última quinta-feira (18), o senador Major Olímpio (PSL), de 58 anos, teve morte cerebral confirmada pelos médicos. O parlamentar foi diagnosticado com Covid-19 no dia 2 de março e, na ocasião, havia dito que estava com “sintomas leves”. Contudo, no dia seguinte, seu estado se agravou. Ele foi internado em São Paulo e teve de ser transferido para uma UTI em 5 de março

A conta oficial do parlamentar no Twitter comunicou o óbito na quinta e disse que a família iria aguardar 12 horas para confirmar a morte e verificar quais órgãos seriam doados. Depois disso, usuários de redes sociais levantaram dúvidas sobre a possibilidade  da doação de órgãos de pessoas diagnosticadas com Covid-19. Nesta sexta-feira (19), o perfil do senador informou que os médicos avaliaram que a doação não seria possível. O corpo de Major Olímpio foi cremado nesta sexta em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, após homenagens. Veja o que a Lupa verificou:

“[Pessoa com] Covid-19 pode fazer doação de órgão”
Post no Twitter compartilhado no dia 18 de março de 2021

FALSO

Segundo o Ministério da Saúde, a doação de órgãos é contraindicada em pacientes que morreram de doenças infecciosas ativas. A Covid-19 é uma infecção causada pelo novo coronavírus e, por essa razão, pessoas que morreram e ainda estavam contaminadas não podem ser doadoras. Como o vírus ainda está presente no corpo do doador, existe o risco de o receptor ser infectado e desenvolver a doença. Além desse cenário, a contraindicação absoluta ocorre também quando um doador testa positivo para o SARS-CoV-2 ou quando ele apresenta Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) sem se saber qual foi a doença causadora e sem um teste laboratorial disponível para identificá-la.

Ao longo da infecção, o sistema imunológico do organismo tenta combater o vírus. Caso consiga desenvolver anticorpos e barrar a contaminação, o corpo livra-se do patógeno. Na Nota Técnica nº 34 de 22 de abril de 2020, o Ministério da Saúde estabelece que um paciente que teve Covid-19, com regressão completa dos sintomas há mais de 14 dias e novo teste laboratorial negativo, pode ser doador. O exame RT-PCR para SARS-CoV-2 deve ser realizado 24 horas antes da captação do órgão.

Ainda é necessário considerar os casos suspeitos de Covid-19. As diretrizes do Ministério da Saúde apontam que doadores com suspeita clínica da doença, mas que tiveram teste laboratorial negativo, não podem ser doadores se os sintomas ocorreram há menos de 14 dias. Caso os sintomas tenham cessado há mais de 14 dias, deve ser realizado um novo RT-PCR 24 horas antes da captação para averiguar se o corpo ainda contém o vírus. “Em caso de aceite do enxerto, considerar colocar o receptor em isolamento respiratório e de contato após o transplante”, afirma a pasta.

Caso o doador tenha tido contato com casos suspeitos ou confirmados da Covid-19, também é necessário cautela. Se esse contato ocorreu há menos de 14 dias, é necessário descartar a doação, porém, se for há mais de 14 dias, é necessário realizar um teste para ver se o corpo foi infectado. 

Em nota, o Ministério da Saúde afirma que é necessário realizar uma rígida avaliação sobre a atividade, suspeição, contato ou exposição ao vírus para realização da doação. Por essa razão, pessoas sem suspeita clínica ou epidemiológica também precisam realizar um teste RT-PCR 24 horas antes da captação do órgão para ver se a doação é possível. 

A Nota Técnica nº 34/2020, a mais recente sobre o assunto, é uma atualização de um outro documento do Ministério da Saúde com recomendações um pouco diferentes. Segundo a Pasta, “essas condutas foram baseadas nas evidências disponíveis até o momento e poderão ser alteradas, se novas informações aparecerem”.

Editado por: Maurício Moraes e Marcela Duarte

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