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#Verificamos: É falso que existe protocolo para baixar oxigênio de intubados e aumentar mortes por Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
19.mar.2021 | 13h28 |

Circula por grupos de WhatsApp que uma enfermeira denunciou uma suposta ordem para intubar pacientes com Covid-19. De acordo com o conteúdo, a orientação inclui baixar o oxigênio para aumentar o número de mortes pela doença e, dessa forma, “justificar o lockdown”. Segundo essa teoria, o objetivo é “quebrar a economia” e “desestabilizar o Governo Federal”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“ENFERMEIRA indignada chama a imprensa e fala o que esta acontecendo nos hospitais (GRAVÍSSIMO). Ela disse que a ordem e entubar todos os pacientes e depois baixar o oxigênio, para aumentar os números de mortes e justificar o lockdown, para quebrar a economia e tentar desestabilizar o Governo Federal. É um denúncia muito GRAVE é um grande genocídio estão literalmente matando as pessoas, que Absurdo. Vamos ver se isso será noticiado na imprensa.”

 Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Uma entrevista concedida em janeiro por uma mulher que acompanhava um paciente internado em um hospital de Manaus (AM) foi retirada de contexto. Na época, a acompanhante — e não enfermeira — declarou a jornalistas que o nível de oxigênio das pessoas hospitalizadas com Covid-19 tinha sido reduzido. Entretanto, esse protocolo foi adotado porque, naquela ocasião, o estado do Amazonas tinha registrado recordes de internações pela doença e enfrentava uma crise de abastecimento de oxigênio. O racionamento, portanto, teve o objetivo de economizar o insumo — e não aumentar o número de mortes e, por consequência, desestabilizar o governo federal, como sugere a teoria disseminada em correntes de WhatsApp.

Em meados de janeiro, a falta de oxigênio na rede pública e privada de saúde contribuiu para o colapso do sistema do Amazonas e provocou mortes por asfixia. A crise do abastecimento do gás medicinal provocou revolta e fez com que familiares de pessoas hospitalizadas denunciassem o problema. Uma dessas denúncias é justamente a de uma mulher que acompanhava um homem internado no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Manaus.

Na denúncia, veiculada no portal G1, a mulher afirmou que uma enfermeira teria diminuído o nível de oxigênio de um idoso de 81 anos que ela acompanhava. Isso fez com que a saturação (nível de oxigênio no sangue) do homem caísse de 90 para 7. Ao reclamar, ela e outros visitantes teriam sido retirados do local.

Essa mesma declaração, porém gravada de outro ângulo, também vem sendo compartilhada em correntes de WhatsApp com a legenda falsa de que existe um suposto “modus operandi” de “intubar e baixar o oxigênio” em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em todo Brasil. Como explicado, a declaração da mulher refere-se ao colapso do sistema de saúde do Amazonas e à escassez de oxigênio registrados no estado em janeiro deste ano — e não a um protocolo adotado em todas as unidades hospitalares do país.

Procurada pela Lupa, a Secretaria de Saúde do Amazonas informou, por e-mail, que a pessoa que aparece nas imagens não é profissional do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Também afirmou que, atualmente, o fornecimento de oxigênio no estado está estabilizado. “A unidade ressalta que apesar da dificuldade enfrentada pela rede pública e privada com relação ao abastecimento do gás medicinal no pico da pandemia, o hospital nunca ficou desabastecido.” A nota também explica que “a rede hospitalar segue as orientações da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) sobre o uso racional do gás oxigênio em pacientes graves com suspeita de infecção por SARS-CoV-2.”

Esse conteúdo também foi verificado pelo Estadão Verifica.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

 

Editado por: Marcela Duarte

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