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#Verificamos: Imagens de dinheiro em armário não foram feitas na casa do secretário de Saúde do Pará

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.mar.2021 | 15h06 |

Circula nas redes sociais um vídeo que mostra diversas gavetas de um armário cheias de dinheiro. A legenda que acompanha as filmagens explica que as notas foram encontradas durante uma operação da Polícia Federal, na casa do secretário de Saúde do Pará, Rômulo Rodovalho Gomes. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação:

“Polícia Federal encontra dinheiro desviado da pandemia na casa do secretário de saúde do governador do Pará, Helder Barbalho. Imagine a parte do governador!!!!! Esse é o verdadeiro motivo deles terem se unidos contra o presidente da República”
Trecho de texto compartilhado no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo que circula nas redes sociais não foi registrado no Pará, mas sim durante a 2ª fase da Operação Monte Cristo, deflagrada em 1º de outubro de 2020. O dinheiro que aparece nas filmagens foi encontrado em um armário de um dos suspeitos, em Santana de Parnaíba (SP) ― mais de R$ 8 milhões. Na ocasião, o Ministério Público de São Paulo publicou diversas fotos do dinheiro apreendido. Em nota, a Secretaria de Saúde do Pará confirmou que a informação é falsa.

A Operação Monte Cristo investiga um suposto esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de saúde. Estima-se que as fraudes investigadas tenham causado um prejuízo aos cofres públicos de aproximadamente R$ 10 bilhões. As fraudes envolvem grupos empresariais responsáveis pela distribuição de medicamentos e pelo comércio varejista, como redes de farmácias, que se beneficiam dos esquemas.

A operação foi feita em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Secretaria de Estado da Fazenda e do Planejamento de São Paulo, a Superintendência da Receita Federal e a Procuradoria-Geral do Estado.

Em junho do ano passado, a Lupa fez uma checagem similar. Circulou nas redes sociais um vídeo de um policial civil retirando dinheiro de um forro de uma casa. A legenda da publicação dizia que a operação era realizada na casa do então secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame. O vídeo, na verdade, foi registrado na cidade de Barcarena (PA), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra seis policiais militares. Os policiais foram acusados de desviar cocaína apreendida pela corporação.

O vídeo circulou após a Polícia Federal ter deflagrado a Operação Para Bellum, em 10 de junho de 2020. A investigação apura a existência de fraude na compra de respiradores pulmonares pelo governo do Pará, mediante contrato que se deu por dispensa de licitação. Segundo a PF, a compra dos respiradores custou R$ 50,4 milhões ao estado do Pará.

Entre os alvos das buscas estavam a casa do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), a residência do então secretário de Saúde, Alberto Beltrame, o Palácio dos Despachos, sede do Executivo estadual, e as secretarias de Saúde, Fazenda e Casa Civil. Na ocasião, R$ 750 mil foram apreendidos em uma caixa térmica na casa do então secretário adjunto de gestão administrativa de Saúde do Pará, Peter Cassol, que foi exonerado em seguida pelo governo. Em agosto, Beltrame foi exonerado do cargo a pedido. Rômulo Rodovalho, que assumiu a secretaria de Saúde do Pará, é delegado da Polícia Federal.

Em setembro do ano passado, a PF deflagrou outra operação no Pará com o objetivo de apurar desvios de recursos públicos na área da saúde, destinados à contratação de organizações sociais para gestão de hospitais públicos do Pará, dentre eles os hospitais de campanha montados para enfrentamento da pandemia da Covid-19. Na ocasião, foram presos o então secretário de Desenvolvimento Econômico, Parsifal de Jesus Pontes, o então secretário de Transportes, Antonio de Padua, e mais um assessor de gabinete.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Marcela Duarte

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SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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