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#Verificamos: Foto de torcedores usando máscaras contra a gripe espanhola não foi tirada no Brasil

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.abr.2021 | 18h25 |

Circula pelas redes sociais uma foto antiga que mostra torcedores usando máscaras em um estádio. De acordo com a legenda, a imagem teria sido registrada em 1920, durante a pandemia da gripe espanhola, no estádio das Laranjeiras — nome pelo qual é popularmente conhecido o Estádio Manoel Schwartz, sede do Fluminense, no Rio de Janeiro. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“1920 estádio das Laranjeiras, em plena gripe espanhola, sabe qual a diferença??? Não tinha imprensa canalha e nem políticos corruptos.’”

Texto em post publicado no Facebook que, até as 13h15 do dia 5 de abril de 2021, tinha sido compartilhado 333 vezes

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A foto não foi tirada no Brasil e, sim, nos Estados Unidos. A data também não está correta. A imagem é de 1918 e mostra o Grant Field, estádio do Georgia Tech Golden Tornado, time de futebol americano do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), universidade localizada em Atlanta. O registro foi feito pelo então estudante Thomas Frederick Carter durante a temporada de futebol americano universitário daquele ano, quando a gripe espanhola se espalhou pelo mundo.

O retrato viralizou na internet em maio do ano passado, depois que o bisneto de Carter, Andy McNeil, postou a fotografia no perfil de ex-alunos da Georgia Tech no Twitter. Em entrevista ao jornal Atlanta Journal-Constitution, McNeil contou que tem uma cópia da fotografia emoldurada na sala de casa, em Atlanta, e que o registro o fez refletir sobre como o mundo lidou com uma pandemia da gripe espanhola naquela época e como lida agora, com a pandemia do novo coronavírus.

Entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, um vírus influenza (H1N1) com genes de origem aviária infectou cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar do nome, o vírus foi identificado pela primeira vez em militares nos Estados Unidos, e não na Espanha. A pandemia se disseminou para o resto do mundo depois que soldados norte-americanos foram enviados para a Europa para lutar na Primeira Guerra Mundial — que durou até novembro de 1918 

Assim como em 2020 e em 2021, com a pandemia do novo coronavírus, a crise afetou o calendário esportivo. Naquele período, alguns jogos universitários e até temporadas inteiras de alguns esportes foram canceladas. Jornais norte-americanos de então documentaram que o público que comparecia a algumas partidas usavam máscaras para prevenir a transmissão. Entretanto, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1856-1924), considerava o futebol americano um entretenimento necessário para aumentar a moral do país.

Diferenças

Uma diferença bastante significativa da gripe espanhola para a de Covid-19 é a dimensão. O número estimado de mortes provocadas pela pandemia de H1N1, entre 1918 e 1920, é de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Já o SARS-CoV-2 matou 2,85 milhões de pessoas desde janeiro de 2020, quando as primeiras mortes pela doença foram registradas. Ou seja, a gripe espanhola foi quase 20 vezes mais letal.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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