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#Verificamos: Homem condenado por violentar crianças não é ‘criador do #EleNão’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.abr.2021 | 15h17 |

Circula pelas redes sociais que Pedro Henrique Barbosa, condenado por violentar sexualmente crianças com autismo e dificuldade de comunicação, foi o criador da hashtag “#EleNão”, usada contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante as eleições de 2018. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Criador do “ele não”, Pedro Henrique Barbosa, foi condenado a 90 anos de prisão por violentar sexulamente crianças portadoras de autismo”
Texto de imagem que, até às 16h do dia 7 de abril de 2021, tinha sido compartilhada por mais de 700 pessoas no Facebook 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A hashtag “#EleNão” não foi criada por Pedro Henrique Barbosa. A frase, uma espécie de slogan não-oficial contra o então candidato a presidente Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, começou a circular em um grupo de Facebook chamado “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”. Barbosa, que de fato foi condenado por abusar sexualmente de menores de idade, não tem nenhuma relação com o grupo que, como o nome sugere, era administrado por mulheres.

Durante as eleições de 2018, a publicitária Ludimilla Teixeira, de Salvador, criou o grupo para unir mulheres que eram contra falas e posicionamentos de Bolsonaro. As integrantes começaram a pensar em um nome para chamar Bolsonaro para unificar a manifestação. Expressões como “o coiso” apareceram nesse exercício incentivado no grupo. Contudo, a hashtag “#EleNão”, que foi sugerido por uma integrante, rapidamente se popularizou. 

Por telefone, Ludimilla conta que o grupo do Facebook não conta com a presença de homens e, por essa razão, Pedro Henrique Barbosa não poderia estar envolvido na criação da hashtag. “Estamos indignadas com mais essa fake news. Querem a todo custo tirar nosso protagonismo”, disse a fundadora.

Apesar de ter surgido no grupo “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, o uso da hashtag não ficou restrita às participantes do grupo. No final de setembro de 2018, durante a reta final da campanha, o slogan “Ele Não” ganhou popularidade, como mostram levantamentos do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). No final de semana anterior ao primeiro turno, o slogan foi um dos símbolos de manifestações nas ruas contra Bolsonaro. 

Sem relação

O boato que circula pelas redes sociais busca vincular Pedro Henrique Barbosa ao “#EleNão” para deslegitimar a oposição ao presidente. Em julho de 2019, Barbosa foi condenado a mais de 90 anos de prisão pelo abuso sexual de duas crianças, uma com autismo e outra com dificuldade de comunicação. Ele registrava os estupros em vídeo e divulgada em fóruns de pornografia infantil na dark web.

Essa informação começou a circular em 2019 e, naquele ano, foi desmentida por checadores do Estadão Verifica e Boatos.org

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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