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#Verificamos: É falso que idosa foi enterrada viva em cemitério de São Paulo

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.abr.2021 | 20h23 |

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra um grupo de pessoas ao redor de um caixão que transportava o corpo de uma mulher. Na gravação, uma pessoa não identificada diz que ela estava sendo enterrada viva. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

Hospital informa que a paciente entrou em óbito por Covid. Chama a funerária, joga no caixão e manda enterrar. Os familiares desconfiam e vão conferir.

Resultado: a paciente estava VIVA dentro do caixão!!!!”

Texto que acompanha vídeo que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo que circula pelas redes sociais não mostra o caso de uma pessoa que quase foi enterrada viva. Na verdade, Maria Aparecida Ribeiro estava morta quando foi encaminhada para o cemitério Dom Bosco, em Perus, Zona Norte de São Paulo, no dia 26 de março. Apesar de algumas pessoas gritarem que ela estaria se mexendo, a suspeita não foi confirmada, de acordo com os próprios familiares da idosa. Por fim, ela não morreu de Covid-19.

O vídeo compartilhado no Facebook mostra o dia do enterro de Maria Aparecida e foi gravado por um dos netos da vítima. Em entrevista para o Portal Jaraguá no Facebook, ele explicou que a família chegou ao local e pediu para que o carro da funerária abrisse a parte de trás para ver o caixão. O neto conta que o caixão tinha uma parte transparente permitindo que a família visse o corpo. 

Nesse momento, ele suspeitou que a avó estaria sangrando. “Vi aquele sangue escorrendo [da cabeça da vó] e nas pressas fui, peguei o celular e já gravei o vídeo”, afirma. Isso causou uma confusão no local, e os familiares, sob forte emoção, resolveram retirar o caixão do carro funerário e abri-lo. Alguns deles começaram a gritar que a mulher estaria viva. Mais tarde, contudo, a família percebeu que ela, de fato, estava morta.

Maria Aparecida foi internada no Hospital Geral de Taipas em 14 de março, após sofrer um AVC dentro de casa. A Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo informou que o quadro da paciente se agravou ao longo dos dias, resultando em sua morte no final daquele mês. Durante sua permanência na unidade, a equipe de saúde suspeitou que ela também poderia estar com Covid-19 e a paciente realizou um teste para SARS-Cov-2. 

Segundo familiares, a certidão de óbito da vítima indica que ela morreu de “derrame pleural, insuficiência cardíaca e septicemia” e suspeita de Covid-19, uma vez que os exames ainda não haviam sido concluídos na data da morte. Casos de suspeita de infecção pelo novo coronavírus são contabilizados separadamente das ocorrências confirmadas da doença. Após o enterro, exames concluíram que ela não contraiu a doença.

Em nenhum momento foi registrado que seu óbito estava confirmado para Covid-19, mas sim como suspeita. O resultado foi negativo e todos os protocolos foram adequadamente seguidos”, diz a assessoria da secretaria. 

Essa informação também foi verificada pelo Fato ou Fake e pelo Aos Fatos

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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