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#Verificamos: Camilo Santana não proibiu prefeito de usar vacina contra a Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.abr.2021 | 14h12 |

Circula pelas redes sociais que o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), “não está deixando” prefeitos usarem a vacina contra a Covid-19. De acordo com a publicação, essa afirmação foi feita por Bruno Figueiredo (PDT), prefeito do município de Pacajus, região metropolitana de Fortaleza. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“PREFEITO DE PACAJUS, AFIRMA QUE CAMILO SANTANA NÃO ESTÁ DEIXANDO OS PREFEITOS USAR AS VACINAS”

Texto em imagem que circula no Facebook que, até as 14h15 de 13 de abril de 2021, tinha sido compartilhado mais de 350 vezes

EXAGERADO

A informação analisada pela Lupa é exagerada. O prefeito de Pacajus, Bruno Figueiredo (PDT), de fato reclamou em uma entrevista que a Secretaria de Saúde do Ceará não autorizou o uso de vacinas que já haviam sido enviadas ao município. Contudo, a prefeitura do município explicou, depois da entrevista, que a recomendação partiu do Ministério da Saúde, e que as vacinas em questão são destinadas para a segunda dose de pessoas já vacinadas.

Em 6 de abril, Figueiredo foi entrevistado no programa Ponto a Ponto, da rádio e TV local Liberdade. Na ocasião, ele comentou que tem “3 mil e tanto” vacinas no estoque e que pediu autorização à secretaria estadual de Saúde para usar 1,5 mil. “Não liberaram, vou fazer o quê? Era melhor não terem enviado. Acho que é falta de respeito com a situação. Tudo bem, tem perigo de faltar vacinas, tá jóia, então vamos usar só uma parte”, afirmou. Ele também explicou que algumas vacinas serão usadas na população local apenas em maio, para a segunda dose, e questionou se até lá não vão chegar mais unidades. Em nenhum momento o prefeito afirmou que Camilo Santana não o deixou usar as fórmulas. 

Procurada pela Lupa, a assessoria de imprensa de Pacajus informou que o município recebeu uma grande quantidade de doses destinadas à segunda aplicação (D2). Por isso, solicitou a utilização de uma parte dessa quantia junto à secretaria estadual de Saúde e a resposta foi negativa. “Recebemos a informação na sexta-feira (9) [depois da entrevista] de que a determinação vem do Ministério da Saúde, que estabeleceu que as doses seriam apenas para a segunda dose (D2), ou seja, foi uma decisão do Governo Federal e não da Secretaria Estadual de Saúde.”

Entre janeiro e março, Pacajus recebeu 5.371 vacinas da CoronaVac, fórmula desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan no Brasil; e 2.130 da AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford e produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no país. Essas primeiras remessas foram destinadas à aplicação da primeira dose. Em 1º de abril, a cidade recebeu mais uma remessa, dessa vez para aplicação da segunda dose: 4.061 da CoronaVac e 370 da AstraZeneca, informou, por WhatsApp, a assessoria de imprensa do município. Segundo dados disponíveis no site da prefeitura, até 13 de abril Pacajus aplicou 6.922 doses na população. O estoque de 3 mil vacinas, mencionadas pelo prefeito na entrevista, são da CoronaVac. 

A secretaria de Saúde do Ceará informou, em nota publicada no último sábado (10), que recebeu, no dia 1º de abril, uma remessa com 371.750 mil doses de vacinas e que todas foram destinadas à segunda aplicação, conforme recomendações do Ministério da Saúde. Já no dia 8, o estado recebeu mais 170.450 mil doses — essas últimas destinadas para primeira e segunda aplicação. Ainda de acordo com a pasta, “não existe recomendação de fazer estoque de vacinas. Cada imunizante enviado tem destinação planejada para garantir a vacinação de todos os cearenses a partir dos 18 anos”.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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