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#Verificamos: É falso que celular de Adélio Bispo não foi periciado por autoridades

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.abr.2021 | 15h55 |

Circula pelas redes sociais que o celular de Adélio Bispo de Oliveira, responsável pelo atentado contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018, não teria sido periciado. O texto compartilhado no Facebook compara esse caso com a perícia que está sendo realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na investigação da morte de Henry Borel Medeiros, de 4 anos, enteado do vereador do Rio de Janeiro Dr. Jairinho (sem partido). Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Se a perícia conseguiu extrair as conversas apagadas da babá do Henry, porque até hoje não foi periciado o celular do Adélio?”
Texto de imagem que, até às 16h do dia 15 de abril de 2021, tinha sido compartilhada por mais de 700 pessoas no Facebook 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O sigilo de dados de Adélio Bispo foi quebrado pela Justiça no dia 8 de setembro de 2018, dois dias após a facada que feriu gravemente Jair Bolsonaro. A partir disso, a Polícia Federal realizou a perícia de quatro celulares e um notebook do agressor, rastreando ligações, mensagens e contatos de Adélio para entender a motivação do crime.

A PF abriu dois inquéritos para apurar as movimentações financeiras e as ligações telefônicas de Adélio. As duas investigações mostraram que ele agiu sozinho por discordar de posicionamentos e falas de Bolsonaro. Após a facada, surgiu a hipótese de um mandante do crime, porém essa suspeita foi descartada pelos agentes. No segundo inquérito, os agentes analisaram 2 terabytes de arquivos de imagens, 350 horas de vídeo, 600 documentos, 700 gigabytes de volume de dados de mídia e 1200 fotos para chegar aos resultados mencionados anteriormente. 

O que, de fato, aconteceu foi a suspensão da quebra de sigilo do celular do advogado de Adélio, Zanone de Oliveira. Em fevereiro de 2019, o desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), afirmou que a medida não era legítima, já que não existia suspeita de prática de crime realizada por Zanone. Segundo Guedes, o único fundamento para a invasão de privacidade do advogado seria entender como ocorreu sua contratação. 

Um boato semelhante foi verificado pela Lupa em setembro do ano passado. Na ocasião, circulou pelas redes sociais que os sigilos telefônico e bancário de Adélio Bispo seriam “protegidos” pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A Lupa mostrou que essa informação era falsa.  

O texto compartilhado no Facebook compara o atentado contra Bolsonaro com a morte de Henry Borel, de 4 anos. A Polícia Civil do Rio de Janeiro suspeita que o vereador Dr. Jairinho, seu padrasto, espancou Henry até a morte. A polícia investiga uma troca de mensagens por celular entre a mãe de Henry, Monique Medeiros da Costa Silva de Almeida, e a babá, na qual ela relata uma suposta sessão de tortura. Os prints relatando o abuso foram apagados, mas a polícia conseguiu ter acesso por meio de um software israelense. Atualmente, Monique e Jairinho estão presos. 

Essa informação também foi verificada pelo Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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