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#Verificamos: É falso que Senado italiano aprovou ‘tratamento precoce’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.abr.2021 | 19h58 |

Circula pelas redes sociais que o Senado italiano aprovou o tratamento precoce contra a Covid-19. De acordo com a publicação, noticiada no site Brasil Sem Medo, 212 políticos italianos aprovaram o uso de medicamentos para tratar precocemente a doença. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“O Senado italiano aprovou, após meses de discussões, o uso de medicamentos no tratamento precoce contra Covid-19. A moção foi movida pelo senador Massimiliano Romeo, membro do partido Lega, de Matteo Salvini, e foi aprovada por 212 votos a favor, 2 contra e 2 abstenções (…)”

Texto em post que circula no Facebook que, até as 15h de 15 de abril de 2021, tinha sido compartilhado 408 vezes

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O senado italiano aprovou uma moção que versa sobre um protocolo único para cuidados domiciliares de pacientes com Covid-19, e não sobre o uso de medicamentos para “tratamento precoce” da doença. Em 8 de abril, 212 parlamentares votaram a favor de que o governo crie uma agenda nacional única que reúna o Instituto Superior de Saúde (equivalente ao Ministério da Saúde), a Agência Nacional de Serviços Regionais de Saúde (Agenas) e a Agência Italiana de Medicamentos (Aifa).

A proposta é que esses órgãos definam juntos os protocolos e as diretrizes para o atendimento domiciliar de pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2, sempre levando em consideração as experiências dos profissionais que atuam na área. Isso não significa que os pacientes aptos a serem tratados em casa receberão hidroxicloroquina, como afirma o texto do site Brasil Sem Medo, compartilhado na publicação. Na verdade, o uso desse medicamento não é, e continua não sendo, autorizado para uso contra a Covid-19 na Itália. Na última atualização sobre as opções terapêuticas contra a infecção, a Aifa não recomendou o uso da hidroxicloroquina e também alertou que o fármaco pode causar reações adversas.

De acordo com o relatório da votação, disponível no site do Senado italiano, o governo deverá implementar algumas ações, entre elas a de formar uma mesa ministerial de acompanhamento, criar medidas para garantir que as várias experiências e dados clínicos coletados pelos serviços regionais de saúde se fundam em um único protocolo nacional e, também, criar um plano de fornecimento de aparelhos de telemedicina que garantam o monitoramento adequado e constante dos parâmetros clínicos dos pacientes.

Para alguns especialistas ouvidos pela imprensa italiana, como o médico oncologista Luigi Cavanna, entrevistado pelo jornal Corriere Della Sera, a moção aprovada destaca a desigualdade entre as regiões do país, a falta de homogeneidade da atenção domiciliar e a falta de diretrizes únicas para tratar a doença. Segundo Cavanna, a decisão vai beneficiar as pessoas doentes que se acumulam nas salas de emergência de hospitais ou mesmo os “idosos solitários que se sentem abandonados, que não têm relação com nenhum médico e ligam para centrais telefônicas que não atendem”.

Para a controladora na Comissão da Liga de Saúde, Sonia Fregolent, entrevistada pelo site Sanità Informazione, a moção será importante para atualizar protocolos de atendimento em casa e para superar o conceito de “espera vigilante”. Segundo ela, a agenda única irá proporcionar aos usuários a “possibilidade de prescreverem os medicamentos mais adequados e levando em consideração o caso individual”.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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