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#Verificamos: É falso que OMS concedeu título de “categoria de excelência” para a vacina cubana Soberana 2

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.maio.2021 | 17h26 |

Circula pelas redes sociais que a Organização Mundial da Saúde (OMS) teria concedido um título de “categoria de excelência” para a Soberana 2, vacina cubana contra a Covid-19. Ela também teria sido aprovada para o uso em crianças. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“A OMS acaba de dar categoria de excelência a vacina Cubana contra o coronavírus “Soberana 2” inclusive sendo aprovada para uso pediátrico, o que nenhuma outra foi”
Texto que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) não concedeu nenhuma “categoria de excelência” para a Soberana 2, vacina desenvolvida pelo Instituto Finlay e outras organizações em Cuba. Em maio de 2021, a organização indica o uso de apenas cinco vacinas, nenhuma delas cubana. Não há “categoria de excelência”. A vacina Soberana 2 está na terceira fase dos ensaios clínicos, ou seja, ainda não há comprovação científica de sua eficácia e segurança. Sendo assim, ela não é recomendada nem para uso pediátrico, nem para qualquer tipo de uso. 

O Departamento de Regulação e Pré-qualificação (RPQ) da OMS realiza uma avaliação de vacinas submetidas à organização. O objetivo é promover uma análise da qualidade, segurança e eficácia das vacinas que estão em ensaios clínicos de fase IIb / III. Até o momento, a OMS indicou o uso de cinco vacinas: vacina da Pfizer/BioNTech, duas versões da vacina da AstraZeneca/Oxford — SKBio e Serum Institute of India —, a vacina da Janssen e a vacina da Moderna. Outras duas vacinas, a Coronavac e a produzida pela Sinopharm, estão em fase final de avaliação. A Soberana 2 está ainda na primeira etapa do processo.

Essa análise não é obrigatória para que as vacinas passem a ser utilizadas. Cada país é soberano para avaliar as vacinas disponíveis e autorizar o seu uso na população — como é o caso da Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, e aprovada pela Anvisa para a vacinação no Brasil, e da Sputnik, do laboratório russo Gamaleya.

Em relação ao uso pediátrico, o ensaio clínico da Soberana 2 está sendo realizado em pessoas entre 19 e 80 anos, ou seja, ela não está sendo estudada para uso pediátrico. Outros laboratórios estão realizando testes para possibilitar a imunização em crianças. A Pfizer, por exemplo, anunciou no final de março que já tinha iniciado os ensaios clínicos para crianças entre 6 meses e 11 anos de idade.

Embora ainda esteja na sua terceira fase dos ensaios clínicos, a Soberana 2 já está sendo utilizada pelo governo cubano para vacinar a população do país. A previsão é de imunizar quase toda a população até o final de maio. Em entrevista, o representante da OPAS/OMS em Cuba, José Moya, afirmou que Cuba tem um “notável desenvolvimento científico” e uma experiência de 30 anos em fabricar vacinas. O país deve ser o primeiro da América Latina a desenvolver uma vacina contra Covid-19. 

Essa informação também foi verificada pelo Boatos.org.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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