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Foto: José Cruz/Agência Brasil
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#Verificamos: É falso que Simone Tebet disse que prefeitos e governadores ‘corruptos’ não devem ser investigados

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
07.maio.2021 | 17h24 |

Circula nas redes sociais que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) teria dito que “prefeitos e governadores não devem ser investigados” em sessão CPI da Pandemia, na última terça-feira (4). Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Essa figura [Simone Tebet] acha que prefeitos e governadores corruptos, não devem ser investigados
Texto publicado no Facebook que, até as 15h30 do dia 07 de maio, tinha sido compartilhada por 96 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Uma fala da senadora Simone Tebet (MDB-MS) durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia foi editada e retirada de contexto. Na terça-feira (4), Tebet disse que não é de competência dos senadores investigar casos em que não há envolvimento de autoridades federais. Em momento algum ela disse que o mau uso de dinheiro público não deve ser investigado por outras instâncias.

No discurso original, disponível nas notas taquigráficas da CPI, Tebet resgata a decisão do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tomada no ato de requerimento da CPI. Ela lembra que apesar de permitir a investigação do repasse de verbas federais, Pacheco excluiu das funções da CPI as “matérias de competência constitucional atribuídas aos Estados, Distrito Federal e Municípios”. Ou seja, o uso destes recursos não deve ser averiguado por uma Comissão de plenária federal.

Na sequência, afirma: “Não é porque o recurso é federal, foi repassado para estados e houve malversação do dinheiro público que ele pode ou deve ser investigado por esta Comissão”. As palavras “por esta Comissão” foram retiradas de modo a parecer que Tebet seria contrária a qualquer investigação deste tipo. 

Em 13 de abril, Pacheco cumpriu uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e permitiu a criação da CPI ao unir os requerimentos dos senadores Eduardo Girão (Podemos-CE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Segundo o presidente do Senado o objetivo se limita a fiscalizar os “recursos da União repassados aos demais entes federados para as ações de prevenção e combate à pandemia da Covid-19”.

A execução destas verbas pelos estados e municípios gerou quase 80 operações da Polícia Federal desde o início da pandemia. No Rio de Janeiro, o ex-governador Wilson Witzel sofreu impeachment após denúncia do Ministério Público Federal de desvios nos recursos da saúde. Em Minas Gerais, acusações de que servidores do governo do estado teriam “furado a fila” da vacina contra a Covid também promoveu a criação de uma CPI na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook.

Editado por: Chico Marés

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