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#Verificamos: É falso que condenado por desvio de R$ 3 milhões na Caixa é assessor econômico de Toffoli

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.maio.2021 | 16h35 |

Circula nas redes sociais que Ítalo Colares de Araújo,  ex-gerente da Caixa Econômica Federal condenado a 14 anos de prisão por lavagem de dinheiro, seria “assessor de economia” do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Por  WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“ESQUERDISTA GERENTE de uma das AGÊNCIAS da CEF de BRASÍLIA, autor do ROUBO de TRÊS MILHÕES de REAIS do FGTS, esteve FORAGIDO da JUSTIÇA por cerca de QUATRO ANOS. Pois BEM, NÃO está PRESO, mas TRABALHANDO como ASSESSOR de ECONOMIA do MINISTRO ANTONIO DIAS TOFFOLI, no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) ACORDA ELEITOR (A)”
Texto que circula no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em outubro de 2013 uma reportagem do jornal O Globo revelou que o ex-gerente da Caixa Econômica Federal, Ítalo Colares de Araújo, condenado a 14 anos de prisão por lavagem de dinheiro, trabalhava como servidor concursado no Supremo Tribunal Federal (STF), apesar de ser procurado pela Justiça para notificação da sentença. Contudo, em nenhum momento ele ocupou cargo de assessor de Dias Toffoli, de acordo com a assessoria de comunicação da Corte. Atualmente, Ítalo é Analista Judiciário no Núcleo de Gerenciamento de Precendente, vinculada à Secretaria de Gestão de Precedente do STF. Trata-se de uma área que classifica recursos e publiciza os precedentes referentes à jurisprudência do Supremo

Araújo havia passado quatro anos apresentando endereços falsos à Justiça, de modo que não podia ser encontrado para ser notificado. Ele foi condenado em 2009 pelo desvio de R$ 3 milhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na época em que foi gerente de uma agência da Caixa Econômica localizada no Lago Sul, em Brasília (DF). Segundo o Ministério Público Federal (MPF), entre 1998 e 1999, ele desviou valores do FGTS que deveriam ser entregues a clientes do banco, enviando os valores para contas da mãe, do irmão, da esposa, da filha e dos sogros. Inicialmente a fraude apontada era de R$ 6,5 milhões. 

A sentença foi emitida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara de Brasília, mas o processo se manteve parado enquanto Ítalo não era encontrado. Após reportagem do Globo identificando que batia ponto no STF, o magistrado expediu nova ordem de notificação e o servidor foi, então, formalmente notificado. A defesa do réu entrou com um recurso que, de acordo com a assessoria de comunicação do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, ainda não foi julgado. 

Em 2000, Ítalo já havia sido condenado no mesmo caso por peculato, mas também recorreu do processo e contou com a demora na resolução. A decisão prescreveu em 2008.

Ainda em 2000, Araújo foi aprovado em concurso público no STF para o cargo de técnico judiciário. Em 2003, prestou novo concurso para o cargo de analista judiciário no mesmo órgão. De acordo com O Globo, apesar de ser procurado pela justiça, Ítalo chegou a atuar nos gabinetes do ministro Marco Aurélio de Mello e dos ex-ministros Maurício Corrêa e Eros Grau. Contudo, ele não teve passagem como assessor de Dias Toffoli. Em novembro de 2020, última data com informações disponíveis no portal do STF, Ítalo recebe R$ 19.689,52 de salário bruto e R$ 5.855,04 líquido.

Esta afirmação também foi checada pelo Estadão Verifica.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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