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#Verificamos: É falso que ex-presidente Lula doou R$ 25 milhões para grupo terrorista palestino

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.maio.2021 | 20h04 |

Circula pelas redes sociais que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) doou R$ 25 milhões para o Hamas, grupo considerado terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia. A publicação reproduz a imagem de uma lei de 2010 que, supostamente, autorizaria a doação. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Hamas é o grupo terrorista que o Lula doou 25 milhões”
Legenda de imagem compartilhada no Instagram que, até as 16h do dia 17 de maio de 2021, havia sido visualizada por mais de 32 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Em 20 de julho de 2010, o ex-presidente Lula, de fato, sancionou a lei 12.292, que previa a doação de R$ 25 milhões. O valor, no entanto, foi destinado à Autoridade Nacional Palestina, e não ao grupo Hamas.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) é um órgão independente e provisório, criado na década de 1990 para liderar um governo de transição até o estabelecimento do Estado da Palestina. Em 2010, o presidente da ANP era Mahmoud Abbas, membro do Fatah, partido ao qual o Hamas faz oposição. Abbas, que sucedeu o primeiro presidente, Yasser Arafat, está no poder até hoje.

Em 2010, a verba doada pelo governo brasileiro fazia parte de um esforço internacional para a reconstrução da Faixa de Gaza. O valor seria enviado a um fundo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo um comunicado oficial da instituição, os R$ 25 milhões seriam revertidos em alimentação para 106 mil refugiados palestinos, além de fornecer assistência educacional para 1,8 mil crianças.

A doação, segundo comunicado do Senado Federal, foi motivada por uma carta entregue a Lula escrita por Abbas, que pedia que o Brasil continuasse cooperando pela paz no Oriente Médio.

Fatah e Hamas têm um histórico de relações conturbadas. Ambos chegaram a formar um governo de união nacional em 2007, mas ele foi dissolvido pouco tempo depois. No mesmo ano, após confrontos armados, o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza e expulsou o Fatah da região. As duas organizações fizeram um acordo de paz em 2017.

O Hamas é o maior dos movimentos islâmicos palestinos. Em sua carta de fundação, estabelece como objetivo a luta armada contra Israel. O movimento está envolvido diretamente na escalada de violência após confrontos entre a polícia israelense e palestinos em Jerusalém Oriental.

Já o Fatah é considerado atualmente um partido laico e moderado, defensor de um acordo de paz que divida o território entre Israel e Palestina e ponha fim aos conflitos na região.

Essa informação também foi analisada pelo Aos Fatos, Estadão Verifica e Fato ou Fake.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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