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#Verificamos: É falso que Joe Biden doou US$ 235 milhões para ‘terroristas do Hamas’

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.maio.2021 | 16h51 |

Circula pelas redes sociais que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, financiou “terroristas do Hamas” ao doar US$ 235 milhões para a Faixa de Gaza e para a Cisjordânia. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Joe Biden Financiou Terroristas do Hamas Doando US$235 Milhões Para Faixa de Gaza e Cisjordânia”
Texto em post no Instagram que, até as 14h de 17 de maio de 2021, tinha mais de 1,7 mil curtidas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O presidente norte-americano Joe Biden não doou dinheiro ao Hamas, grupo militante islâmico da Palestina que enfrenta Israel. Em abril deste ano, a administração do democrata anunciou que retomaria a ajuda aos palestinos, suspensa em 2018 durante o mandato do ex-presidente Donald Trump, com um aporte de US$ 235 milhões. Essa contribuição financeira, contudo, não significa que o dinheiro será usado pelos militantes do Hamas. De acordo com comunicado oficial do governo, a verba é direcionada aos esforços humanitários, econômicos, de desenvolvimento e de segurança na região, cuja população enfrenta pobreza extrema e fome.  

Cerca de dois terços do valor (US$ 150 milhões) anunciado pelos Estados Unidos serão destinados à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (Unrwa, na sigla em inglês). Essa agência, que como o nome sugere é parte da Organização das Nações Unidas (ONU), foi criada em 1949 e promove ações de ajuda direta e programas de trabalho para refugiados da Palestina.

Outros US$ 75 milhões da ajuda anunciada por Biden em abril passado serão alocados em programas de desenvolvimento econômico na Cisjordânia e em Gaza. De acordo com a nota oficial do governo, a assistência econômica inclui o apoio à recuperação de pequenas e médias empresas afetadas pela pandemia do novo coronavírus; apoio para que famílias carentes tenham acesso às necessidades humanas básicas, como alimentos e água potável; e assistência à sociedade civil palestina. Uma parte desse financiamento, diz o documento, será para a Rede de Hospitais de Jerusalém Oriental. Por fim, US$ 10 milhões serão para programas de construção da paz por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAid).

Em abril, numa entrevista à agência de notícias Reuters, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, rebateu críticas que expressaram preocupação de que os fundos pudessem cair nas mãos de militantes, especialmente em Gaza, onde o Hamas governa.  Segundo ele, a lei norte-americana proíbe ajuda que beneficie a Autoridade Palestina diretamente. Em uma coletiva de imprensa realizada em 7 de abril, Price enfatizou que a assistência na Cisjordânia e em Gaza é realizada por meio de “parceiros independentes experientes e confiáveis ​​no local, e são esses parceiros que distribuem diretamente para as pessoas necessitadas, não por meio do governo ou de autoridades governamentais”. Também afirmou que esses parceiros “têm meios de mitigação de risco com o objetivo de garantir que a assistência financiada pelos contribuintes dos EUA chegue àqueles a quem se destina: mulheres, homens e crianças que precisam”.

Biden pediu ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no último sábado (15), que o Hamas parasse os ataques com foguetes contra Israel. O presidente se comprometeu a encontrar uma “solução negociada de dois Estados como a melhor maneira de alcançar uma resolução justa e duradoura para o conflito israelense-palestino”. Abbas, vale pontuar, é do Fatah, partido político ao qual o Hamas se opõe.

O que é o Hamas

O Hamas (sigla para Movimento de Resistência Islâmica, em árabe) é um grupo de militantes palestinos, classificado como organização terrorista por países ocidentais, que não reconhece o Estado de Israel. Surgiu em 1987 depois do primeiro levante contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Além de se oporem ao estado de Israel, o grupo também faz oposição ao Fatah, partido que controla oficialmente a ANP. Desde 2007, o Hamas controla, na prática, a Faixa de Gaza, enquanto o Fatah governa a Cisjordânia. 

A Faixa de Gaza é um território estreito localizado na costa do Mar Mediterrâneo e que faz fronteira com o Egito e Israel. É uma área densamente habitada, com cerca de 2 milhões de habitantes em apenas 365 quilômetros quadrados, cerca de um quarto do município de São Paulo. Grande parte de sua população vive em pobreza extrema e depende de assistência humanitária.

Desde o dia 10 de maio, extremistas do Hamas e o Exército de Israel voltaram a se enfrentar numa nova onda de conflitos — a mais violenta desde 2014. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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