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#Verificamos: Vídeo que fala sobre suposta fraude de urnas eletrônicas traz informações erradas sobre processo eleitoral

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
21.maio.2021 | 20h26 |

Circula pelo WhatsApp um vídeo que mostra um homem narrando um suposto esquema de fraude de urnas eletrônicas que teria sido organizado pela União das Repúblicas Socialistas da América Latina (Ursal). A organização teria escrito em um post no Facebook que iria comprometer urnas que favorecessem o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Com isso, o equipamento apresentaria problemas durante a votação e teria que ser descartado, anulando os votos da seção. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Essa daqui é a página da Ursal, União das Repúblicas Socialistas da América Latina. Vocês podem pesquisar aqui. Eu tô no Facebook. Olha o que acabou de sair, 53 minutos atrás. Pode entrar aí no seu Facebook. Entra aqui nessa página para você ver, dar uma olhadinha nesse post deles aqui (…)”
Vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A página mencionada no vídeo não é um portal oficial da “União das Repúblicas Socialistas da América Latina”, ou Ursal, uma vez que essa organização não existe. O termo foi cunhado pela socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa em texto de opinião publicado no jornal Folha de Londrina, em 2001, e se referia a uma entidade explicitamente hipotética.

No texto, intitulado “Os Companheiros”, ela criticava discurso de Luiz Inácio Lula da Silva, então pré-candidato à presidência da República, sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) — projeto de bloco econômico que não se concretizou. Em um trecho do texto, ao falar sobre a suposta ameaça à “integração latino-americana” citada por Lula, ela escreveu o seguinte: “Mas qual seria, me pergunto, essa tal integração no modelo Castro-Chávez-Lula? Quem sabe, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina (URSAL)?”

Anos depois, o termo começou a ser usado na internet como parte de teorias da conspiração. Em 2018, o termo viralizou quando o então candidato à presidência Cabo Daciolo (Patriota) citou a “entidade” em um debate, como se fosse algo real. Depois disso, várias páginas foram criadas em redes sociais para “homenagear” a Ursal, de forma satírica.


“(…) O que fazemos é deixar parte do código com erros propositais para as urnas de localidade que o Bolsonaro tem mais votos terem problema, então terem que ser substituídas, anulando todos os votos daquela seção (…)”
Vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O vídeo compartilhado no WhatsApp começou a circular durante as eleições de 2018 e foi desmentido na época pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Segundo as autoridades, o software da urna é desenvolvido pelo TSE e assinado digitalmente, não podendo ser alterado após sua instalação, o que impossibilita a inserção de um “código” com erros propositais. 

O homem no vídeo afirma ainda que uma urna que apresente um defeito é descartada, anulando os votos já inseridos. Essa informação também é falsa. As urnas eletrônicas têm duas memórias – uma interna e outra externa – e todos os votos são registrados nas duas partes. Caso tenha algum problema, a memória externa é retirada e inserida em uma nova urna que não estava sendo utilizada. Por essa razão, os dados que já tinham sido gravados não se perdem. 


“(…) Depois fizemos uma exaustiva campanha para colocar, principalmente onde o Bolsonaro é mais forte, diversos mesários comprometidos com a URSAL (…)”

Vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Diferente do que o vídeo indica, o processo de seleção de mesários não é comandado por nenhuma organização. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, o Código Eleitoral determina que os voluntários para essa função sejam nomeados 60 dias antes das eleições, sendo escolhidos entre os eleitores da própria seção. Existe ainda o projeto Mesário Voluntário, no qual pessoas podem pedir para realizar essa atividade durante as eleições. Partidos políticos e coligações podem questionar a nomeação de mesários, caso achem que eles estejam “comprometidos”. Durante a votação, fiscais partidários podem também acionar a Justiça Eleitoral se encontrarem algum mesário comprometendo a votação de alguma forma.

Nesta semana, a Lupa identificou outros dois boatos que falavam sobre fraude em urnas eletrônicas circulando pelas redes sociais (veja aqui e aqui). Um deles falava que o Brasil é o único país que utiliza urnas eletrônicas sem voto impresso, o que não é verdadeiro.

O vídeo circula desde 2018 e, na época, foi verificado pelo Projeto Comprova e pelo Boatos.org.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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