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#Verificamos: É falso que banco suíço confirmou existência de ‘conta secreta de US$ 150 milhões’ de Lula e Dilma

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.maio.2021 | 17h14 |

Circula pelas redes sociais o print de uma notícia segundo a qual um banco suíço informou a existência de uma conta com meio bilhão de reais em nome dos ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Banco Suíço informa a justiça Brasileira, que tem Quase meio BILHÃO de reais, (cerca de 150 milhões de dólares) Depositados em conta em nome de Dilma e de Lula”
Imagem que circula no Facebook e que, até as 19h15 do dia 25 de maio, tinha sido compartilhada por 65 mil pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Houve, de fato, a suspeita, em 2017, de que duas contas no exterior que somavam US$ 150 milhões (quase R$ 800 milhões, em valores atuais) teriam sido usadas para abastecer campanhas políticas dos ex-presidentes petistas. No entanto, as contas estavam em nome do empresário Joesley Batista, dono da JBS, e não em nome de Dilma e Lula. Além disso, a investigação do caso não conseguiu comprovar que o dinheiro era destinado aos dois políticos.

Em 2017, Joesley firmou um acordo de delação premiada em que declarou ter aberto duas contas na Suíça para depositar propina supostamente intermediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. De acordo com o empresário, o valores teriam sido gastos na campanha de Dilma em 2014. “Teve a fase do presidente Lula e depois a fase da presidente Dilma. Na fase do presidente Lula chegou a uns US$ 80 milhões, depois na Dilma chegou a uns US$ 70 [milhões]. Ou ao contrário, US$ 70 [milhões] na do Lula e US$ 80 [milhões] na da Dilma”, afirmou o empresário ao Ministério Público Federal.

Apesar de atribuir a movimentação do dinheiro aos ex-presidentes, Joesley confirma no depoimento que as contas estavam em seu nome. Relatou, contudo, que Lula e Dilma sabiam da existência das contas.

Antes do conteúdo da delação de Joesley vir à tona, o banco suíço Julius Baer decidiu encerrar as contas do empresário e informou às autoridades do país que identificou indícios de que o montante estava envolvido em crimes financeiros. Segundo reportagem do Estadão, o volume movimentado e os padrões de transferência teriam levantado suspeitas. Lula e Dilma, no entanto, não foram citados nesse episódio.

Ainda em 2017, o procurador da República Ivan Cláudio Marx, responsável por investigar as alegações de Joesley, disse que a versão do empresário sobre as supostas contas era de difícil comprovação. Joesley não teria apresentado provas da ligação dos presidentes com as contas, nem de que Lula e Dilma sabiam dos valores depositados. “A história dele é incomprovável. Pedimos [a Joesley] documentos para comprovar, e não veio nada”, afirmou Marx ao UOL.

A defesa de Lula afirmou, na época, que a vida do ex-presidente e de seus familiares foi ilegalmente devassada pela Operação Lava Jato e que nenhum valor ilícito foi encontrado. A defesa de Dilma negou, na mesma ocasião, que a petista tenha solicitado qualquer doação ilegal para suas campanhas e declarou que a ex-presidente jamais teve contas no exterior.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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