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#Verificamos: É falso que farmácias da Itália estão distribuindo hidroxicloroquina de graça em 2021

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
27.maio.2021 | 18h41 |

Circula pelas redes sociais que farmácias na Itália estão distribuindo hidroxicloroquina de graça para pacientes com Covid-19 que estão sendo tratados em casa. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“COMBATE AO COVID-19

Farmácias italianas distribuem gratuitamente a hidroxicloroquina para pacientes com covid-19 tratados em casa”

Texto em post que circula no Facebook que, até as 15h40 de 27 de maio de 2021, tinha 510 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Farmácias italianas não estão distribuindo hidroxicloroquina gratuitamente para pacientes com Covid-19. Desde dezembro de 2020, o uso do antimalárico não é indicado pela Agência Italiana de Medicamentos (Aifa) para tratar a Covid-19. Na última atualização das recomendações da Agência sobre o uso de fármacos para pacientes que tratam da doença em casa, publicada em 26 de abril deste ano, esse medicamento é contraindicado. A Aifa ainda alerta que o uso pode provocar reações adversas.

A peça de desinformação que circula atualmente reproduz sem contexto um conteúdo publicado em um site brasileiro em maio de 2020. Segundo o texto, em 23 de abril daquele ano, a Federação Italiana dos Proprietários de Farmácias (Federfarma) anunciou que estabelecimentos localizados em Piemonte, região no noroeste da Itália, iriam disponibilizar, sem custo, medicamentos à base de hidroxicloroquina para pacientes tratados em casa. Naquela ocasião, ainda não havia estudos de alta qualidade que demonstrassem a ineficácia do medicamento.

Pouco mais de um mês depois dessa iniciativa, em 29 de maio, a Aifa suspendeu a autorização do uso de hidroxicloroquina para o tratamento da Covid fora dos ensaios clínicos e a distribuição gratuita nas farmácias de Piemonte foi interrompida. Na ocasião, técnicos do órgão, que equivale à Anvisa no Brasil, informaram que “novas evidências clínicas relacionadas ao uso de hidroxicloroquina em indivíduos infectados com SARS-CoV-2 indicaram um risco aumentado de reações adversas em face de poucos ou nenhum benefício”.

Desde então, dezenas de pesquisas foram feitas para identificar algum potencial benefício da droga como profilaxia ou tratamento da Covid-19. A maioria não verificou a eficácia da droga. Na última atualização do relatório de opções terapêuticas contra a doença, da Organização Mundial da Saúde (OMS), a revisão de 41 estudos clínicos randomizados e controlados com quase 20 mil pessoas em todo o mundo mostrou que a hidroxicloroquina e a cloroquina não reduzem a mortalidade, nem a necessidade de ventilação mecânica invasiva e tampouco melhoram significativamente o tempo para resolução dos sintomas da doença. Também não reduzem o risco de infecção se usado como profilaxia. Além disso, essas substâncias podem estar associadas a um pequeno aumento de eventos adversos graves.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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