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#Verificamos: É falso que vencedor do Prêmio Nobel disse que vacinados irão ‘morrer em dois anos’

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
10.jun.2021 | 19h08 |

Circula pelas redes sociais que o virologista francês Luc Montagnier, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 2008, teria dito que todas as pessoas vacinadas contra a Covid-19 irão morrer dentro de dois anos. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“”Todas as pessoas vacinadas morrerão dentro de 2 anos” Prêmio Nobel Luc Montagnier”

Texto em imagem que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O virologista francês e vencedor do Prêmio Nobel, Luc Montagnier, não disse que as pessoas vacinadas contra a Covid-19 irão morrer dentro de dois anos. O boato começou a circular após o especialista conceder uma entrevista para a organização RAIR Foundation USA, fundação norte-americana de extrema-direita, em maio deste ano. Analisando o vídeo, é possível ver que ele não falou que pessoas iriam morrer depois de serem imunizadas.

Para esclarecer o caso, a própria organização também veio a público desmentir a informação. “Não está claro se o boato foi iniciado como uma tentativa cínica de desacreditar o Prof. Montagnier ou se foi feito para enfatizar o perigo da vacina. De qualquer forma, o Prêmio Nobel não disse tal coisa”, disse.

A entrevista do vencedor do Prêmio Nobel ficou conhecida após o especialista afirmar que os imunizantes contra a Covid-19 estariam acarretando no surgimento de variantes do novo coronavírus. Contudo, essa informação também está incorreta. A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi afirma que as vacinas não teriam como promover o surgimento de novas variantes. Na realidade, as variantes aparecem conforme o vírus se multiplica, infectando uma célula nova. Quanto mais ele se multiplica, maiores são as chances de termos novas cepas.

Essa explicação também foi fornecida pelo pesquisador da Fiocruz Felipe Naveca. O especialista cita o caso da Inglaterra, já que o surgimento da nova variante ocorre depois das férias de verão do país – período em que as medidas de distanciamento foram menos respeitadas. O mesmo ocorreu no Brasil, já que a variante localizada em Manaus, no Amazonas, apareceu no final de 2020, após as festas de fim de ano — e antes do início da vacinação no país.

Montaigner ganhou o Prêmio Nobel em 2008, por ser um dos descobridores do vírus HIV, em 1983. Nos últimos anos, ele foi criticado pela comunidade científica por sua defesa da homeopatia e por defender que vacinas causam autismo, tese que tem como base um estudo desmentido ainda em 2004.

Essa informação também foi verificada pelo Fato ou Fake.  

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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