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#Verificamos: É falso que o Papa proibiu Biden de participar de missa no Vaticano

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
17.jun.2021 | 18h09 |

Circula pelas redes sociais que o Papa Francisco vetou a participação do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em uma missa no Vaticano. Isso teria ocorrido porque Biden declara-se favorável ao direito de as mulheres fazerem aborto. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Papa Francisco proíbe participação do presidente dos Estados Unidos em Santa Missa realizada no Vaticano, por Biden ser abortista”

Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 17h30 de 17 de junho de 2021, tinha 248 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O Papa Francisco não vetou a presença de Biden em uma missa no Vaticano. O erro foi publicado inicialmente pelo site Catholic News Agency (Agência de Notícias Católica) em texto do dia 14 de junho, dizendo que os dois líderes haviam combinado um encontro no dia 15 deste mês. A reportagem, contudo, foi corrigida para explicar que não havia nenhum evento planejado entre Biden e o papa Francisco naquela data — logo, não haveria como ele ter sido impedido de participar de uma missa. A história não passou de um rumor. Biden foi à Europa para participar das cúpulas do G7, no Reino Unido, e da Otan, em Bruxelas, e para se encontrar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Genebra. Ele é o segundo católico a ocupar o posto de presidente dos Estados Unidos. 

Um suposto impedimento iria contra posicionamentos feitos pelo pontífice sobre esse tema. Em 6 de junho, durante a oração do Angelus, o Papa defendeu a comunhão daqueles que são considerados pela igreja como pecadores. “Quando recebemos a Eucaristia, Jesus faz o mesmo conosco: nos conhece, sabe que somos pecadores e sabe que erramos muito, mas não renuncia a unir sua vida à nossa. Ele sabe que precisamos, porque a Eucaristia não é o prêmio dos santos, mas o Pão dos pecadores. Por isso, nos exorta: Não tenham medo. ‘Tomai e comei'”, afirmou. Em 2016, o pontífice declarou que todos os padres tinham permissão para perdoar o aborto.

Além disso, por meio de uma carta enviada em maio ao presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Horacio Gomez, o Vaticano pediu a bispos norte-americanos para terem cautela nas discussões sobre a criação de uma política nacional sobre a comunhão de políticos defensores do “aborto, da eutanásia e de outros males morais”. Não existe um consenso sobre o tema na Igreja Católica dos Estados Unidos, uma vez que há bispos contrários e favoráveis à restrição. No documento, o Vaticano evitou tomar partido e fez várias ressalvas ao tema.

O cardeal prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Luis Francisco Ladaria, defendeu o amplo diálogo antes de ser tomada qualquer decisão. O órgão do Vaticano — que já foi conhecido como Santa Inquisição e, mais tarde, como Santo Ofício — tem a missão de promover e proteger a doutrina católica. De acordo com Ladaria, o debate sobre a comunhão a políticos norte-americanos pró-aborto precisa ocorrer em duas fases. Na primeira, entre os próprios bispos, e, depois, com os políticos. 

Para a Congregação para a Doutrina da Fé, se a decisão final for mesmo elaborar uma política nacional sobre o tema, o documento precisa “expressar um verdadeiro consenso dos bispos sobre o assunto”. “Seria enganoso se tal afirmação desse a impressão de que o aborto e a eutanásia por si só constituíssem as únicas questões graves da doutrina moral e social católica que exigem a intervenção da igreja”, escreveu Ladaria.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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