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Foto: Polícia Civil de Goiás
Foto: Polícia Civil de Goiás

Nas redes sociais, usuários aproveitam comoção pública por perseguição policial a criminoso para distribuir notícias falsas

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
18.jun.2021 | 19h04 |

Nesta semana, produtores de notícias falsas em redes sociais aproveitaram a comoção nacional em torno da busca policial por Lázaro Barbosa, suspeito de realizar uma chacina em Ceilândia, no Distrito Federal, no início de junho, para divulgar informações inverídicas em busca de compartilhamento. Vídeos e fotos mostram o momento no qual, supostamente, Lázaro teria sido preso — embora, até as 18h do dia 18 de junho, ele ainda continue foragido. O secretário da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), Rodney Miranda, disse que “fake news” tem provocado interferência na operação, já que os agentes precisam verificar todas as informações que chegam e não conseguem atender rapidamente às demandas mais relevantes. 

Nas redes sociais, a Lupa identificou diversas imagens e vídeos que estão sendo tiradas de contexto para afirmar que Lázaro já teria sido detido — o que, até o momento, não é verdade. No WhatsApp, por exemplo, circulou uma fotografia de um cão ajudando um policial a prender um homem que supostamente seria o serial killer. Na realidade, a imagem é um print de um vídeo divulgado pela Polícia Militar de Santa Catarina em outubro de 2019. O vídeo na íntegra afirma que o cão participou de uma operação em 2017 para prender um homem que estava fugindo dos policiais. Ou seja, não tem relação com Lázaro Barbosa.

Outro vídeo compartilhado no aplicativo mostrava um preso sendo encontrado dentro de um freezer. Porém a gravação não tem relação com Lázaro, mas sim com um preso de Manaus que foi localizado em janeiro deste ano. Segundo os policiais, o homem teria roubado fios de uma igreja da região. No WhatsApp, usuários também postaram um vídeo que mostra um helicóptero auxiliando na prisão de um homem, que estava escondido na vegetação. O caso aconteceu em junho deste ano, quando um homem suspeito de roubar um celular foi detido por agentes. O episódio foi divulgado por alguns veículos de comunicação, como o jornal Metrópoles.

Além de informações falsas, também é possível verificar um aumento de perfis falsos nas redes sociais com o nome do foragido. Na última terça-feira (17), uma reportagem do jornal Correio Braziliense mostrou que o Facebook tem 346 perfis fakes que utilizam o nome de Lázaro. No Instagram e no TikTok, também foi possível encontrar contas que levam a foto e o nome do criminoso, que, em muitos casos, parecem brincar com os acontecimentos.  

O caso

Lázaro, de 32 anos, é o principal suspeito de matar uma família de quatro pessoas em Ceilândia Norte, no Distrito Federal, e é procurado desde o dia 9 de junho. Durante sua fuga, ele chegou a sequestrar uma família em Edilândia, Goiás, e feriu pelo menos 3 pessoas na região.

Segundo a SSP-GO, 200 policiais estão participando de uma operação para prender o foragido. “As equipes continuam posicionadas nos quadrantes que foram definidos estrategicamente. O cerco está sendo fechado e as informações apontam que Lázaro Barbosa está cada vez mais cansado e possivelmente ferido”, informou

Lázaro tem uma extensa ficha criminal. Ele foi preso pela primeira vez na Bahia em 2007, quando foi acusado de duplo homicídio, mas conseguiu fugir cerca de 10 dias depois. Dois ano depois, foi preso em Brasília por suspeita de roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo. Teve sua prisão convertida em semiaberto e voltou a fugir. Foi preso novamente em 2018, mas conseguiu escapar ainda naquele ano, após fazer um buraco no teto da sua cela. Em abril deste ano, ele invadiu uma chácara em Santo Antônio do Descoberto (GO) e golpeou um idoso com um machado. 

Editado por: Chico Marés

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