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#Verificamos: É falso que a Covid-19 foi controlada na Índia após adoção da ivermectina

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
24.jun.2021 | 17h13 |

Circula pelo WhatsApp um texto que afirma que a pandemia da Covid-19 foi “controlada completamente” na Índia após a suspensão da vacinação. O conteúdo também sugere que a ivermectina foi adotada em todo o país asiático e ajudou no controle da doença. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“A Índia acaba de reabrir o seu maior ponto turístico, o Taj Mahal, pois o covid foi controlado após a suspensão da vacinação em massa em maio de 2021 e a adoção da Ivermectin em todo país (a Índia é um dos maiores produtores mundiais da ivermectina). Era um país de 1.400.000.000 de habitantes que estava incinerando cadáveres em praças públicas em abril-maio. Daí suspendeu a vacinação massiva, controlou completamente a COVID-19 ao ponto de poder reabrir o turismo. […]”

Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Ao contrário do que o texto sugere, não houve “suspensão da vacinação em massa” na Índia, e a queda — e não “controle total” — do número de casos da doença no país nas últimas semanas não tem relação com a ivermectina, antiparasitário sem eficácia comprovada contra o SARS-CoV-2.

Em abril, o número de novos casos de Covid-19 na Índia disparou, até atingir seu ápice em 6 de maio, com 414 mil registros. Para tentar conter a transmissão do vírus, ao menos metade dos estados determinou medidas rigorosas de restrição de circulação. Foi o lockdown o responsável por tirar a Índia da liderança do número de mortes diárias por Covid-19 — posto ao qual o Brasil retornou nesta quarta-feira (23).

Também não houve “suspensão da vacinação em massa” na Índia. De acordo com o painel Our World in Data, da Universidade de Oxford, a imunização no país asiático não apresenta qualquer evidência de interrupção e segue crescendo, ainda que em ritmo menor que no Brasil. Até quarta-feira, 17,5% da população indiana havia recebido ao menos uma dose da vacina contra a Covid-19.

Neste momento, a curva de novos casos da doença está em queda, com média móvel de 54 mil — ou seja, ainda não há “controle total”, como o texto sugere. Mas a queda, de fato, motivou a reabertura do Taj Mahal, principal ponto turístico indiano, em uma tentativa de movimentar a economia local. O monumento estava fechado desde 16 de abril, por causa do aumento no número de casos na região. Contudo, o número de visitantes foi limitado para diminuir a circulação de pessoas no monumento. No ano passado, o local ficou fechado por seis meses.

Ivermectina

No dia 7 de junho, a Diretoria Geral de Serviços de Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde indiano, atualizou suas diretrizes de tratamento à Covid-19 e retirou a recomendação de substâncias como a ivermectina e a hidroxicloroquina para tratar pacientes leves e assintomáticos. Segundo as novas diretrizes, pacientes assintomáticos não devem tomar qualquer medicamento, enquanto pacientes com sintomas leves devem tratar a febre e a tosse, se necessário.

A indicação de remédios sem eficácia comprovada se tornou um problema de saúde pública na Índia. E assim como no Brasil, médicos indianos defendem a liberdade do médico de recomendar medicamentos que julgar necessários para proteger a saúde do paciente.

Ao menos 2 estados indianos planejavam distribuir a ivermectina para tratar a Covid-19, mesmo com os alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para restringir o uso do medicamento apenas a pesquisas clínicas, informou uma reportagem da Reuters em maio.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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