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#Verificamos: Texto viral sobre variante Delta da Covid-19 traz informações falsas sobre a nova cepa

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
14.jul.2021 | 17h52 |

Circula pelo WhatsApp uma mensagem que afirma que a variante Delta do coronavírus não causa febre ou tosse, além de supostamente ter uma taxa de mortalidade mais elevada. Ainda de acordo com o texto, atribuído ao “Grupo Unimed”, a cepa atacaria diretamente os pulmões, o que diminuiria a eficiência de testes de detecção da doença. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Covid Delta 🚨
Sintomas e evolução:
Não há tosse, nem febre, mas as articulações ficam muito doloridas. Dor de cabeça, dor no pescoço e na parte superior das costas. Fraqueza geral, perda de apetite e pneumonia. […]”
Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A variante Delta do coronavírus pode estar relacionada a uma diminuição de alguns sintomas como a tosse e a perda de olfato, segundo um estudo de monitoramento da Covid-19 realizado no Reino Unido. Isso não significa que elas não ocorram.

O epidemiologista Tim Spector, coordenador do estudo Zoe Covid Symptom, apontou à BBC que sintomas anteriormente frequentes como tosse e perda de olfato se tornaram menos comuns entre infectados pela doença nos últimos meses. A perda do olfato chegou a deixar a lista dos dez sintomas mais frequentes. Segundo o pesquisador, essas mudanças podem estar associadas ao crescimento da circulação da variante Delta no país. A agência de saúde britânica Public Health England estima que 90% dos novos casos de Covid-19 no Reino Unido são causados pela cepa inicialmente identificada na Índia.

Ainda de acordo com o monitoramento, realizado por meio de um aplicativo para celular, dor de cabeça, dor de garganta, coriza e febre se tornaram os principais sintomas reportados de Covid-19. O monitoramento não estabelece uma relação direta entre as diferenças de sintomas e a circulação da variante Delta, mas os dados indicam uma possível mudança de comportamento do vírus.

“É esperado que, na evolução dos vírus, eles se tornem menos sintomáticos, mas cada vez mais transmissíveis”, explica o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe da Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), consultor da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). De acordo com o médico, pacientes que apresentam sintomas leves circulam mais e consequentemente transmitem mais, o que acaba favorecendo a predominância de variantes menos sintomáticas, mas com capacidade maior de infecção.


 

“[…] Mais virulento e com maior taxa de mortalidade, com evidência mais rápida para chegar a extremos. Às vezes sem sintomas !! […]”
Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

Embora as variantes do SARS-Cov-2 apresentem uma taxa maior de transmissão, não há evidências científicas que sustentem que a Delta tem uma taxa maior de mortalidade. “Tanto a [variante] Alfa quanto a Beta e a Gama são mais virulentas, ou seja, se transmitem mais, mas isso não significa que sejam mais mortais. Não existem estudos que permitam dizer que pacientes com a variante Delta vão evoluir melhor ou pior”, explica Barbosa.


 

“[…] Afeta diretamente os pulmões, o que significa que nas ‘janelas’, os períodos de tempo são mais curtos. […]”
Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

 

A variante Delta do novo coronavírus não ataca os pulmões “diretamente”. Assim como todas as outras variantes, o processo de replicação começa no nariz, na boca e nas vias aéreas. Segundo Barbosa, a descrição que consta na mensagem não é possível. “Ao receber o vírus pelo nariz, boca ou olho, ele passa a se replicar e começa a infecção das vias aéreas superiores. Na fase dois ele pode, literalmente, descer para os pulmões. Mas não existe uma infecção direta dos pulmões, é impossível”, diz.


 

“[…] Os testes de esfregaço nasal muitas vezes são negativos para Covid-19, e há cada vez mais resultados falsos negativos em testes de nasofaringe. Isso significa que o vírus se espalha e se espalha diretamente para os pulmões, causando estresse respiratório agudo causado pela pneumonia viral. […]”
Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

Não existe nenhum indício de que a variante Delta favoreça “falsos negativos” por descer para o pulmão. É verdade que, inicialmente, novas cepas costumam ser mais difíceis de ser detectadas, como explica Barbosa. Contudo, esse já não é o caso da variante Delta. 

“Quando você tem uma uma variante ainda não identificada, se você não colocar o reagente dela, a doença não vai ser detectada no teste. Por isso é tão importante ficar sequenciando e entender quais vírus estão em circulação. Mas isso não vale para a Delta, que já tem meses que a gente sabe que ela existe”, afirma.

Como explicado acima, o vírus não se espalha “diretamente” para os pulmões.


 

“[…] Grupo Unimed👆 [atribuição da autoria do texto]”
Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

O texto que circula pelas redes sociais não tem nenhuma relação com a Unimed Brasil. Por meio de nota, a empresa declarou que não é responsável pela mensagem que circula pelo WhatsApp, que se pronuncia apenas por meio de seus canais oficiais de comunicação e que repudia a propagação de informações não verificadas que podem impactar a saúde das pessoas.

Cuidado ainda maior

A variante Delta tem uma capacidade de transmissão 97% maior que o vírus sem mutações, aponta um relatório produzido por cientistas ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS) que analisou dados internacionais sobre a propagação do SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. Nesta segunda-feira (12), a OMS afirmou que 104 países já registram casos de infecção pela cepa que, em breve, será a predominante no mundo.

A mensagem que circula pelo WhatsApp lista algumas recomendações, como evitar aglomerações, manter o distanciamento social, usar máscara e lavar as mãos com frequência. Todos esses cuidados seguem valendo com a circulação da variante Delta, mas precisam ser redobrados. “A transmissibilidade dela é praticamente o dobro. Então tem que ter um aumento nas estratégias de prevenção, além de acelerar a vacinação”, alerta Barbosa.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
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