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#Verificamos: É falso que manifestantes cubanos jogaram artistas e jornalistas ‘comunistas’ em caminhões de lixo

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
22.jul.2021 | 18h40 |

Circula pelo WhatsApp um vídeo que mostra manifestantes colocando à força pessoas na caçamba de um caminhão em Cuba. Segundo o texto que circula junto às imagens, os hostilizados seriam “artistas e jornalistas defensores do comunismo”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Cubanos jogam artistas e jornalistas que sempre defenderam o comunismo no caminhão de lixo. Espero ver isso aqui no Brasil!! SOS CUBA”
Texto sobre vídeo que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Na verdade, as pessoas colocadas na caçamba do caminhão não são defensoras do regime cubano, e, sim, opositores ao governo liderado por Miguel Díaz-Canel. O vídeo foi publicado no site da CNN. Algumas das pessoas que foram detidas na ocasião, como o dramaturgo Yunior García, foram identificadas.

Em 11 de julho, milhares de cidadãos cubanos foram às ruas da capital Havana e de outras cidades para criticar as dificuldades econômicas e o agravamento da pandemia da Covid-19 no país. Foram os maiores protestos dos últimos 60 anos na ilha. Como respostas, manifestantes favoráveis ao regime também foram às ruas, convocados pelo governo.

Segundo reportagem da CNN en Español, o vídeo foi gravado nesse contexto de enfrentamento entre grupos pró e contra o governo. O site do veículo publicou a íntegra, de quase cinco minutos, do vídeo que circula pelos grupos de WhatsApp.

As imagens mostram dezenas de pessoas reunidas em uma rua de Havana. Alguns manifestantes empunham pequenas bandeiras de Cuba. A aglomeração não é muito numerosa e o fluxo de carros permanece quase inalterado.

Em um determinado momento do vídeo, alguns oposicionistas tentam resistir, mas acabam sendo colocados no caminhão pela maioria governista presente, sob gritos de “Cuba sim, ianques não”. É possível identificar ao menos três pessoas levadas à força à caçamba. A gravação termina antes do caminhão sair.

Segundo a CNN en Español e a BBC, o dramaturgo Yunior García estava entre os detidos. Ele afirmou que cerca de 15 artistas, sete deles no caminhão, foram levados a uma prisão, onde permaneceram durante 24 horas sob a justificativa de terem causado desordem pública. “Não nos permitiram usar o telefone para falarmos com nossos familiares. Nos trancaram em uma cela e, pouco a pouco, um por um, foram chamando para interrogatórios”, narrou García.

De acordo com a Human Rights Watch, mais de 150 cubanos haviam sido detidos nos primeiros dias de protesto. A agência estatal de notícias informou a morte de um homem durante um confronto entre manifestantes e forças de segurança. O Observatório Cubano de Direitos Humanos denunciou que detidos estavam sem direito à defesa.

Na semana passada, o presidente Miguel Díaz-Canel ressaltou que todos os cidadãos detidos receberiam um julgamento justo. Além disso, admitiu a necessidade de pedir desculpas aos manifestantes que foram “maltratados injustamente” pelas forças policiais.

Para tentar conter a instabilidade, o governo cubano chegou a cortar a internet da ilha, impedindo o funcionamento de plataformas como WhatsApp, Instagram e Telegram, que foram utilizadas para convocar o movimento de contestação.

Nesta quinta-feira (22), o governo dos Estados Unidos anunciou que pretende impor novas sanções contra autoridades cubanas devido à “repressão e às violações de direitos humanos contra manifestantes pacíficos”.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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