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#Verificamos: É falso que Anvisa ‘admitiu’ a falta de evidências sobre uso de máscaras para prevenir a Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
30.jul.2021 | 17h09 |

Circula pelas redes sociais a informação de que máscaras não funcionam para prevenir a infecção pelo novo coronavírus. A publicação sugere que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teria “admitido” não haver evidência de eficácia do uso da peça. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“MÁSCARAS NÃO FUNCIONAM! (…)”

Texto em post compartilhado no Facebook que, até as 10h30 do dia 30 de julho de 2021, tinha sido visualizado 216 vezes  

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Diversas pesquisas em todo mundo comprovaram que máscaras são efetivas para reduzir a possibilidade de transmissão e infecção por Covid-19. A peça bloqueia fisicamente gotículas e aerossóis expelidos pela tosse, espirro ou mesmo fala de pessoas infectadas, e dificulta a inalação por parte de quem está saudável.

O vírus da Covid-19 não se desloca sozinho, solto no ar, mas em pequenas gotas d’água expelidas por pessoas infectadas — que podem ser chamadas de gotículas quando são maiores, até 500 micrômetros de diâmetro, ou de aerossóis, quando tem até 5 micrômetros. Pessoas saudáveis podem se infectar ao inalar essas partículas. As máscaras reduzem a trajetória e a quantidade de material expelido, e, portanto, ajudam a reduzir a possibilidade de infecção. A eficácia varia de acordo com o material e o formato do equipamento.

Um estudo publicado em junho de 2020 sobre a transmissão da doença mostrou que a exposição tanto a essas gotículas quanto aos aerossóis (elas diferem apenas pelo tamanho) é maior quanto mais perto uma pessoa estiver da fonte de exalações. Por isso, o uso de máscaras reduz tanto a expulsão quanto a possível inalação dessas gotas e aerossóis. Assim, ao utilizar a peça, a pessoa impede que sejam expelidas as partículas e, com isso, a transmissão do vírus é bloqueada. 

Em fevereiro deste ano, um artigo publicado na revista científica Journal of the American Medical Association apontou que existe um benefício coletivo do uso de máscaras. De acordo com os autores, quanto mais a peça é adotada pela comunidade, ou seja, por mais pessoas, maior o benefício para cada membro individualmente. Ao usar a máscara de forma coletiva, as pessoas protegem umas às outras e também protegem-se umas das outras. “A prevalência do uso de máscara na comunidade pode ser mais importante do que o tipo de máscara usada”, informa o texto.



ANVISA ADMITE NÃO HAVER EVIDÊNCIA DE EFICÁCIA DE MÁSCARAS! A AGÊNCIA JUSTIFICA A RECOMENDAÇÃO DE USO DE MÁSCARAS BASEANDO-SE UNICAMENTE NA AUTORIDADE DA OMS”
Texto em post compartilhado no Facebook que, até as 10h30 do dia 30 de julho de 2021, tinha sido visualizado 216 vezes  

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não admitiu, em nenhum momento, que não existem evidências sobre a eficácia das máscaras para prevenir a infecção pelo novo coronavírus. Por email, a assessoria de imprensa da Agência afirmou que “recomenda a proteção facial para evitar a propagação da Covid-19, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde, do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e de outras referências nacionais e internacionais, desde a primeira orientação voltada para os serviços de saúde”.   

Também informou que, com o avanço da pandemia, e considerando o acúmulo de evidências sobre a transmissão do vírus, “vem implementando diversas atualizações em suas publicações. Em todas elas o uso de máscaras faciais adequadas às necessidades e aos profissionais de saúde foi reforçado”.

De fato, no site da instituição, uma página que reúne informações sobre máscaras faciais de proteção contra a Covid-19 informa, em formato de perguntas e respostas, que tanto as máscaras profissionais (cirúrgicas) como as não profissionais (caseiras, feitas de pano, por exemplo) atuam como barreiras físicas, reduzindo a propagação do vírus e, consequentemente, a exposição e o risco de infecções. Essa página foi atualizada pela última vez no dia 28 de julho de 2021. 

Essa peça de desinformação envolvendo o uso de máscaras e a Anvisa começou a circular depois que o site Brasil Sem Medo publicou um conteúdo intitulado “Anvisa confessa ineficácia de máscaras e diz se basear apenas na OMS” em 26 de julho. No texto, o fragmento de um ofício enviado pela Anvisa à Defensoria Pública da União em Goiânia (GO) em abril foi retirado de contexto para dar a entender que o órgão estaria assumindo a insuficiência desse item de proteção.

Na verdade, o trecho citado no quarto item do documento, “apesar de não existir evidências robustas sobre a eficácia do uso de máscaras de tecido como controle de fonte para a transmissão da Covid-19 (…)”, refere-se especificamente à orientação para o uso de “máscara de tecido por pacientes, acompanhantes, visitantes e profissionais do serviço de saúde que executam atividades exclusivamente administrativas e não têm nenhum contato com pacientes ou áreas de internação de pacientes”, o que pode ser lido na própria continuação desse parágrafo. 

A nota técnica a que se refere esse ofício (publicada pela primeira vez em janeiro de 2020 e revisada pela última vez em fevereiro de 2021) elenca, entre as medidas de prevenção e controle de novos casos de infecção pelo SARS-CoV-2, o uso de máscaras adequadas pelos profissionais de saúde.  

Sobre a menção às máscaras de tecido, a assessoria de imprensa da Agência reforça que o fato de esses itens serem confeccionados com diversos materiais e tecnologias, “dificultando a padronização de um índice de eficácia, não significa que os produtos sejam ineficazes”. 

Por fim, a nota destaca que o uso de máscara “precisa fazer parte de um conjunto de medidas que inclui distanciamento social, higiene das mãos com água e sabonete ou preparações alcoólicas, além de evitar aglomerações e permanecer em locais limpos e bem ventilados”. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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