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#Verificamos: Marcelo Odebrecht não atribuiu ‘queda’ de Dilma a corte de propina do MDB

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
03.ago.2021 | 17h35 |

Circula pelas redes sociais uma frase do ex-presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, que atribui a “queda” da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao corte feito pela petista em um contrato que supostamente envolvia propina paga a políticos do MDB por meio da Petrobras. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“[Marcelo Odebrecht:] Eu avisei Temer que Dilma descobriu a corrupção e cortou contrato, foi quando Temer decidiu derrubá-la…”
Texto em imagem que, até 17h do dia 3 de agosto de 2021, havia sido compartilhada por mais de 15 mil usuários no Facebook

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O empreiteiro Marcelo Odebrecht jamais fez a declaração atribuída a ele. A frase utiliza elementos de um depoimento do empreiteiro à Operação Lava Jato, mas Marcelo não estabelece uma relação causal entre o corte no contrato e o impeachment de Dilma. A publicação existe, ao menos, desde 2018, mas voltou a circular esta semana.

Em depoimento prestado no âmbito de um acordo de delação premiada, Marcelo detalhou à Polícia Federal um suposto esquema de pagamento de propina ao MDB envolvendo um contrato, chamado de “PAC SMS”, de US$ 825 milhões com a Petrobras. Do total, 4% iriam para o MDB e 1% para o PT.

De acordo com Marcelo, Graça Foster, que presidiu a petrolífera brasileira entre 2012 e 2015, teria o questionado depois de saber de um suposto esquema de pagamentos indevidos ao MDB. O empreiteiro, que não detalhou datas no depoimento, disse que apurou as informações com um diretor da empresa e posteriormente reconheceu a Foster a existência dos pagamentos, mas ressaltou que políticos do PT também estariam envolvidos.

Depois disso, uma comissão interna na Petrobras analisou o contrato e determinou que seu valor fosse reduzido para US$ 480 milhões, cerca de 43% do montante original. O Ministério Público foi acionado e começou a investigar um diretor da Odebrecht, o que teria desagradado Marcelo.

Para tentar reverter a situação, em outra data não especificada, o empreiteiro teria se reunido com a então presidente Dilma. Segundo Marcelo, a petista parecia interessada em descobrir as pessoas que estavam recebendo os pagamentos. “Eu achava que ela queria saber se o Michel [Temer] estava envolvido”, declarou.

Marcelo menciona que, depois dessa reunião, pediu a um diretor da empreiteira que “fizesse chegar” aos ouvidos de Temer que Dilma estava desconfiada de alguns caciques do MDB, e que ele próprio poderia estar sob suspeição.

Não há qualquer menção de Marcelo a consequências desse caso no depoimento, nem de que Temer teria decidido “derrubar” Dilma após o corte no contrato da empreiteira com a Petrobras. Na verdade, Marcelo menciona apenas que o contrato foi renegociado, que a empreiteira teve prejuízo e que o caso terminou sem resolução.

O esquema levou à condenação de nove pessoas, incluindo ex-executivos da Petrobras e do Grupo Odebrecht, além de operadores financeiros.

À época do depoimento de Marcelo, o MDB declarou que arrecada recursos dentro do disposto na lei e que estava à disposição da justiça para esclarecimentos. A defesa de Dilma negou qualquer relação de proximidade com Marcelo e disse que a petista não teve conhecimento de qualquer situação ilegal envolvendo a empreiteira. O PT e Graça Foster não se pronunciaram.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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FALSO
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