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#Verificamos: Vídeo em que MPF pede suspensão de vacina é antigo e não tem relação com a Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
05.ago.2021 | 11h55 |

Circula por grupos de WhatsApp o vídeo de uma reportagem que informa que o Ministério Público Federal (MPF) de Uberlândia, em Minas Gerais, investigou a adoção das vacinas pelas autoridades de saúde. O órgão teria concluído que não existe nenhuma pesquisa que comprove a eficácia da imunização. A gravação mostra uma entrevista com o procurador do MPF Cléber Eustáquio Neves em que ele pede que a vacina seja proibida no Brasil e afirma, entre outros pontos, que “vários países estão preocupados com os efeitos adversos”. O letreiro do vídeo sugere que a reportagem é recente, que o “presidente quis avisar” e que, agora, “vêm as consequências”. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Os casos de reação à vacina chegaram aos consultórios médicos e também ao Ministério Público Federal. O MPF investigou como foi feita a adoção da vacina pelas autoridades de saúde e concluiu que não existe uma pesquisa que comprove a eficácia da imunização. (…) Vários países estão preocupados com os efeitos adversos da vacina. São mais de 2 mil efeitos, tanto é que o Japão já recomenda a não aplicação da vacina. Eu peço que a vacina seja proibida em todo o território nacional (…)”

Conteúdo de vídeo publicado no TikTok que circula em grupos de WhatsApp 

FALSO

O vídeo analisado pela Lupa é antigo e foi retirado de contexto. Trata-se de um trecho de uma reportagem exibida em 2015 sobre uma polêmica envolvendo pedido de proibição da vacina contra o HPV (papilomavírus humano). A gravação, portanto, não é atual e não tem qualquer relação com a pandemia do novo coronavírus. Na época, o MPF de Uberlândia ajuizou ação civil pedindo que a Justiça Federal vetasse a aplicação de vacina contra o HPV, e não contra a Covid-19, sob a alegação de que não existia comprovação de eficácia dessa fórmula. O vídeo foi editado para cortar a informação que faz referência ao HPV.

Por e-mail, a assessoria de imprensa do MPF de Minas Gerais explicou que a entrevista dada pelo procurador da República Cléber Eustáquio Neves é anterior à pandemia e que a ação movida contra a vacina do HPV em 2015 foi julgada improcedente pela Justiça Federal em agosto de 2020. O MPF também informou que o procurador é autor de uma ação movida em abril de 2021 “para que a cidade de Uberlândia tenha acesso aos imunizantes contra a Covid-19”, Ou seja, ele não pediu a proibição da vacina da Covid-19 e, sim, requisitou autorização para que o município mineiro pudesse adquirir doses diretamente dos fornecedores. 

O trecho da entrevista que circula atualmente em correntes de WhatsApp é similar a diversas reportagens exibidas por veículos de imprensa na época. A vacina contra o HPV foi incluída no calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014. À época da ação movida pelo procurador da República Cléber Eustáquio Neves, várias entidades manifestaram-se contra o pedido, entre elas a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Vale pontuar que as vacinas contra a Covid-19 que estão sendo aplicadas no Brasil — Pfizer/BioNTech, AstraZeneca, CoronaVac e Janssen — têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são consideradas seguras. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os imunizantes que já autorização para uso em diversos países foram “testados em grandes e randomizados ensaios controlados que incluem pessoas de uma ampla faixa etária, ambos os sexos e etnias diferentes”. A OMS também afirma que as doses contra a Covid têm sido consideradas seguras e eficazes em pessoas com várias condições médicas. 

No Japão, onde a campanha de imunização começou com atraso em relação a outras nações, 45,4% da população já tomou pelo menos uma dose até 4 de agosto. Os imunizantes Pfizer/BioNTech, Oxford/AstraZeneca e Moderna estão sendo aplicados atualmente no país asiático.

Esse conteúdo também foi verificado pelo Fato ou Fake

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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A informação está comprovadamente incorreta
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