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Foto: TSE
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#Verificamos: É falso que inquérito da PF de 2018 investiga servidor do TSE que auxiliou na criação da urna eletrônica

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
09.ago.2021 | 19h09 |

Circula pelas redes sociais que o servidor Giuseppe Dutra Janino, identificado na publicação como o “pai das urnas eletrônicas”, teria comandado esse equipamento durante 15 anos, tendo sido exonerado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após ser investigado pela Polícia Federal (PF). Por essa razão, ele teria virado assessor do ministro Luís Roberto Barroso, que preside o TSE e integra o Supremo Tribunal Federal (STF). Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Esse é o Janino, conhecido como ‘pai das urnas eletrônicas’. Comandou as urnas no TSE por 15 anos. Qdo a PF ficou na cola dele, ele foi exonerado no TSE e virou ASSESSOR DO BARROSO boca de veludo!”
Texto compartilhado no Facebook que, até às 19h do dia 9 de agosto de 2021, tinha sido compartilhado mais de 300 pessoas no Facebook 

FALSO

O texto analisado pela Lupa é falso e distorce informações sobre uma investigação de 2018 da Polícia Federal, que analisa a invasão de um hacker ao TSE. O inquérito foi publicado nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e cita o ex-secretário de Tecnologia da Informação (STI) do TSE, Giuseppe Dutra Janino. Contudo, diferentemente do que afirma o texto, o servidor não era um investigado, mas sim um colaborador da PF na investigação.

O site do TSE afirma que Janino trabalhou por 25 anos na Corte Eleitoral, permanecendo por 15 anos como secretário de Tecnologia da Informação (STI) do tribunal. Ele foi um dos membros da equipe que desenvolveu o projeto de engenharia da urna eletrônica. O equipamento começou a ser adotado no Brasil em 1996

Durante as eleições de 2018, o TSE foi informado pelo repórter Felipe Payão, do portal Tecmundo, que o sistema Gedai e outras informações sigilosas do tribunal teriam sido invadidas. O jornalista disse que o código-fonte do sistema teria sido acessado. Após essa denúncia, o próprio TSE pediu à polícia para investigar o caso. O inquérito mostra uma série de e-mails e, em um deles, o tribunal afirma que esse acesso ao código-fonte não permitiria fraudar as eleições de 2018. 

Janino aparece no inquérito como colaborador, fornecendo dados para os agentes realizarem o trabalho. O delegado da PF Victor Campos solicitou, por exemplo, que o servidor encaminhasse imagens das máquinas supostamente invadidas para a PF verificar – o que foi feito. Ele não é um investigado pela polícia neste documento.

Atualmente, Janino não é mais servidor do TSE. Segundo o tribunal, ele pediu para deixar o cargo para se dedicar a projetos pessoais. Em maio deste ano, entrou no seu lugar o servidor Júlio Valente

Por conta dessas alterações, Janino trabalhou por três meses – de maio a julho – deste ano como assessor especial da Presidência, auxiliando no processo de transição da chefia da STI. Contudo, ele não é assessor especial do ministro Luís Roberto Barroso e atualmente seu nome consta na lista de servidores inativos do TSE. A assessoria de imprensa do STF também afirmou que Janino não é assessor de Barroso

Essa informação também foi analisada pelo Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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