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#Verificamos: Israel não concluiu que imunidade de infectados é maior que a de vacinados contra Covid-19

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
11.ago.2021 | 15h55 |

Circula pelas redes sociais que, em Israel, as autoridades de saúde descobriram que ser infectado pelo novo coronavírus protege sete vezes mais do que tomar a vacina da Pfizer/BioNTech contra a Covid-19. A publicação é acompanhada de um conteúdo do site Frontliner. No texto são apresentados dados que comprovariam que o número de novos casos confirmados é maior no grupo que tomou a vacina. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“Israel: infecção anterior protege 7 vezes mais que vacina covid da Pfizer

De acordo com números apresentados pelo Ministério da Saúde de Israel, pessoas que adquiriram imunidade contra o novo coronavírus por infecção natural são menos suscetíveis a serem infectadas em novos surtos em comparação com aquelas que obtiveram imunidade por vacinação.”

Publicação compartilhada no Facebook que, até as 10h45 do dia 8 de agosto de 2021, tinha mais de 1,2 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não é possível afirmar que pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus estão sete vezes mais protegidas do que aquelas que tomaram a vacina da Pfizer/BioNTech em Israel. De acordo com o especialista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a resposta imunológica varia em cada pessoa, tanto em quem teve a doença como em quem tomou a vacina. “Portanto, não dá para falar genericamente que quem recebe as doses ou quem teve a doença está melhor imunizado”, explicou, por telefone.  

Os dados apresentados no site Frontliner não correspondem ao resultado de uma pesquisa científica e, sim, a um monitoramento epidemiológico realizado periodicamente pela autoridade de saúde israelense. Ao projeto Comprova, o Ministério da Saúde de Israel explicou que, entre 15 de junho e 27 de julho, foram diagnosticadas 24.348 novas infecções. Desses casos, 163 (0,66%) ocorreram em pessoas que já haviam sido diagnosticadas antes com a Covid-19 — e 47 indivíduos desse grupo já estavam totalmente imunizados. Outros 12.511 (51,3%) novos casos no mesmo período foram observados em quem já havia recebido a vacinação completa e foi infectada pela primeira vez.

Essa conta, contudo, não quer dizer que a imunidade das pessoas que tiveram a doença seja mais forte do que a daquelas cuja imunidade foi conferida por vacinas. O próprio órgão afirmou que “os dados disponíveis atualmente não permitem confirmar ou negar” essa conclusão. “A resposta imune do organismo ao novo coronavírus, quer seja induzida naturalmente depois de uma infecção ou por meio de vacinação, é um dos terrenos com mais lacunas de conhecimento até o momento”, enfatizou o diretor da SBIm. Segundo Kfouri, a comunidade científica ainda não conhece um correlato de proteção. “Alguns indivíduos respondem muito bem e outros muito mal. Por isso, confiar na imunidade conferida apenas por meio da infecção, ainda mais num cenário de diversas variantes, não é indicado”, concluiu.

Em entrevista ao Comprova, o órgão israelense avaliou que o aumento no número de contágios se deu, em parte, por causa da diminuição na proteção das pessoas vacinadas em janeiro e fevereiro. Em 6 de julho, por exemplo, a pasta divulgou uma análise que mostrou que, a partir de 6 de junho, a eficácia da vacina da Pfizer/BioNTech caiu para 64% na prevenção da infecção e 64% na prevenção de um quadro sintomático da Covid-19. Essa diminuição, informa o ministério, foi observada simultaneamente com a propagação da variante delta em Israel. 

Em um comunicado em abril, a Pfizer afirmou, com base nos resultados dos estudos de fase três, que a eficácia de sua vacina é de pelo menos seis meses após a vacinação com a segunda dose.

Atualmente, a maior parte da população de Israel está vacinada. Em 10 de agosto, 62,4% dos habitantes já estavam totalmente imunizados e 67% receberam uma dose, segundo dados da plataforma Our World in Data. Vale pontuar que uma única dose da vacina da Pfizer reduz pela metade o risco de infecção pelo coronavírus — e não 100%, segundo estudo de efetividade realizado em Israel. A pesquisa foi publicada em junho na revista científica Journal of the American Medical Association (Jama).

Medidas revisadas

Depois de uma rápida campanha de vacinação da população que culminou com a redução das infecções e mortes pelo novo coronavírus, o país retirou a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos em abril. Em 15 de junho, as autoridades retiraram também a exigência da peça em espaços fechados. Um mês depois, no entanto, o número de novas infecções diárias chegou a 450 e o país mudou a estratégia novamente. Naquela ocasião, a variante delta do novo coronavírus representava cerca de 90% dos casos.

Como a maioria dos grupos de risco já foi vacinada no país, as autoridades de saúde acreditam que menos pessoas irão adoecer gravemente. Ainda assim, diante do avanço da variante delta, no final de julho Israel lançou uma campanha para reforçar a imunização das pessoas com mais de 60 anos com a aplicação de uma terceira dose.  

A Lupa entrou em contato por e-mail com o Ministério da Saúde de Israel. O órgão não se pronunciou até a publicação desta checagem. 

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

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