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#Verificamos: É falso que José Dirceu seja sócio de empresa de manutenção das urnas eletrônicas

Repórter (especial para a Lupa) | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
12.ago.2021 | 15h23 |

Circula no WhatsApp que o hacker preso por invadir os aparelhos celulares do ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Sergio Moro, além de integrantes da Operação Lava Jato, alugava a mesma casa que já tinha sido ocupada pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT). A publicação também sugere que o petista é sócio da empresa que faz manutenção em urnas eletrônicas. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O hacker preso pelas invasões aos celulares de Moro e do pessoal da Lava Jato alugava uma casa em Brasília que tinha sido ocupada por José Dirceu.”
Conteúdo compartilhado no WhatsApp 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. O criminoso que alugava uma casa em um condomínio em Brasília, na qual o ex-ministro José Dirceu (PT) havia morado anos antes, não tem qualquer relação com a invasão do celular de integrantes da Operação Lava Jato em 2019. Tampouco tem relação com o político petista. Na verdade, tratava-se de um israelense acusado de praticar crimes cibernéticos. Esse homem foi detido em maio de 2019 em Paris em uma operação que envolveu a Polícia Federal e o FBI, agência de segurança dos Estados Unidos. 

O israelense morava com a mulher e quatro filhos no imóvel, alugado em 2018. O lugar havia sido a residência de José Dirceu até 2015, quando foi preso na 17ª fase da Operação Lava Jato. De acordo com as investigações, o israelense gerenciava uma plataforma na chamada deep web, uma parte “escondida” da internet, na qual eram praticados tráfico de drogas e armas, contrabando e lavagem de dinheiro.  

Já o hacker acusado de invadir os celulares de Sergio Moro, do procurador e ex-coordenador da Lava Jato Deltan Dallagnol e de centenas de procuradores, juízes e delegados federais foi preso em Araraquara, no interior de São Paulo. Walter Delgatti Neto, conhecido como “Vermelho”, foi detido em julho de 2019 na Operação Spoofing, da Polícia Federal. De acordo com reportagem do site Último Segundo, Delgatti Netto morava na cidade do interior paulista. Não há registros de que ele tenha morado em Brasília. 


A empresa que faz manutenção nas urnas eletrônicas tem como sócio, adivinhe, José Dirceu. Deve ser só coincidência.”
Conteúdo compartilhado no WhatsApp 

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A manutenção das urnas eletrônicas entre as eleições é feita pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado, e não por uma única empresa, como sugere a publicação. O ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT), não tem qualquer relação com esse processo, que é coordenado pelo departamento de logística do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os equipamentos são guardados em depósitos e a cada quatro meses passam por testes e recebem recarga de bateria. 

A assessoria de imprensa do TSE informou, pelo WhatsApp, que o apoio dos técnicos de eleição, que atuam antes e durante o pleito para ajudar na logística, preparação de urnas para a votação, bem como possíveis contingências no dia da eleição, também são de responsabilidade dos TREs. “Não temos a relação das empresas que atuam nos regionais”, diz a nota. Já a manutenção corretiva, que é a assistência técnica especializada, sempre foi, segundo o TSE, de responsabilidade da Procomp Indústria Eletrônica Ltda. Essa empresa foi fundada em 1985 e, em uma consulta ao Portal Transparência e à Receita Federal, o nome de José Dirceu não aparece listado no Quadro de Sócios e Administradores (QSA)

Conteúdos similares viralizaram nas redes sociais sugerindo enganosamente que o ex-ministro seria também sócio da Probank, empresa que nas eleições de 2004, 2006, 2008 e 2010 venceu processo licitatório e atuou na conservação e transporte das urnas, colocação dos equipamentos em cima de bancadas e na carga das baterias. Isso também não é verdade. De acordo com a Receita Federal, José Dirceu não é sócio dessa empresa. Em 2010, a Probank foi acusada de não pagar os técnicos que atuaram durante o pleito e decretou falência. O ex-ministro não consta como sócio nos processos relacionados à falência no Jusbrasil.  

Essa informação também foi desmentida pelo Aos Fatos, Fato ou Fake e Boatos.org

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Chico Marés

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