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#Verificamos: É antigo e foi gravado na Síria vídeo que mostra supostas execuções do Talibã

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
20.ago.2021 | 20h10 |

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra vários homens ajoelhados sendo executados por um grupo de pessoas com máscaras no rosto. O texto que acompanha a gravação afirma se tratar de um “julgamento sumário” do Talibã que teria acontecido nesta semana, após o grupo extremista conseguir tomar Cabul, capital do Afeganistão. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O Talibã já começou os ‘julgamentos’ coletivos. As sentenças são fortes.”
Legenda de vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

O vídeo analisado pela Lupa é antigo e não foi gravado no Afeganistão. Portanto, não tem qualquer relação com a tomada de Cabul pelo grupo extremista afegão, no último domingo (15). Na verdade, a gravação foi feita no início de 2014 na Síria, meses depois que grupos rebeldes extremistas islâmicos tomaram o hospital Al-Kindi, em Aleppo — a cerca de 3 mil quilômetros da capital afegã. Soldados sírios que defendiam o local foram presos e, mais tarde, executados. O vídeo registra esse incidente.

Uma busca reversa das imagens dessa gravação mostrou que ela circula desde março de 2014 nas redes sociais. Não foi possível precisar o dia exato em que os assassinatos ocorreram. Um texto publicado em 24 de março daquele ano, com link para o mesmo vídeo que circula atualmente nas redes sociais, relata que o registro ocorreu três meses depois da tomada do hospital Al-Kindi e atribui a responsabilidade a integrantes do Estado Islâmico e da Jabhat al-Nusra. A página da Organização para a Democracia e Liberdade na Síria também cita a gravação, sem dar muitos detalhes, em post de 28 de março de 2014.

A execução dos soldados também é exibida em um documentário de 2016 da Anna, uma agência de notícias russa, sobre o conflito naquela unidade de saúde. Os soldados sírios assassinados são tratados como heróis. Algumas reportagens de outros veículos publicadas posteriormente também citam o episódio e mostram algumas das imagens presentes na gravação.

O vídeo vem sendo utilizado erroneamente como registro de uma execução comandada pelo Talibã. No último domingo (15), o grupo tomou a capital do Afeganistão. Muitos moradores tentam deixar o país, com medo de possíveis restrições que podem vir a ser impostas. Na terça-feira (17), o Talibã apelou para que a população voltasse a sua rotina e prometeu que não haveria restrições severas contra mulheres. Contudo, pelo menos três pessoas foram mortas e 12 ficaram feridas, depois de um protesto contra o grupo na cidade de Jalalabad na última quarta.

Nas redes sociais, a Lupa também identificou um segundo vídeo tirado de contexto. As imagens mostravam uma mulher sendo executada. Contudo, o caso aconteceu em novembro de 2015 na Síria — ou seja, também não tem relação com o conflito recente no Afeganistão. 

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes

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