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#Verificamos: Estudo não aponta que carga viral de vacinados contra Covid-19 é 251 vezes maior do que a de não vacinados

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
25.ago.2021 | 18h24 |

Circula pelas redes sociais que um estudo publicado na revista científica The Lancet teria indicado que pessoas vacinadas contra a Covid-19 carregam uma carga viral 251 vezes mais alta do que pessoas não vacinadas, quando infectadas com a variante Delta do SARS-Cov-2. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Um artigo pré-impresso do prestigioso Grupo de Pesquisa Clínica da Universidade de Oxford, publicado em 10 de agosto no The Lancet, descobriu que indivíduos vacinados carregam 251 vezes a carga do vírus COVID-19 em suas narinas em comparação com os não vacinados”

Texto que circula pelo WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. As informações do estudo preliminar mencionado no texto foram distorcidas para afirmar que pessoas vacinadas transmitem mais o vírus do que não vacinados. Isso, no entanto, não é dito em nenhum momento no texto. Na realidade, a pesquisa analisou 62 profissionais da saúde do Vietnã já vacinados que testaram positivo para a Covid-19 e constatou que a carga viral de infectados com a variante delta do novo coronavírus era 251 vezes maior do que a de pessoas infectadas com cepas antigas em março e abril de 2020. Além disso, trata-se de um pré-print, ou seja, os dados ainda precisam ser revisados por outros pesquisadores.

No estudo, não foi analisada a carga viral dessa cepa em pessoas não vacinadas que foram infectadas recentemente. “As infecções invasivas da variante delta estão associadas a altas cargas virais, positividade de PCR prolongada e baixos níveis de anticorpos neutralizantes induzidos pela vacina, explicando a transmissão entre as pessoas vacinadas. Medidas de distanciamento físico permanecem críticos para reduzir a transmissão da variante SARS-CoV-2 delta”, informa o artigo científico. 

Divulgada neste mês, a pesquisa foi feita por cientistas da Universidade de Oxford para entender mais sobre a variante delta. Dos 62 profissionais analisados que tiveram Covid-19, 49 eram pré-sintomáticos e se recuperaram. O estudo indica que, mesmo vacinados, alguns profissionais infectados com a nova variante ainda transmitiam o vírus para outras pessoas. Contudo, isso vale para qualquer variante. A função dos imunizantes é evitar casos graves da doença e, como não existe uma vacina 100% eficaz, ainda é possível que alguém vacinado desenvolva a Covid-19 e a transmita para outra pessoa

O que o estudo pontua é que a delta traz uma preocupação a mais, já que essa variante é mais transmissível. Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a delta como “variante de preocupação”. No Brasil, a cepa já foi localizada em 16 estados e no Distrito Federal. Embora estudos tenham confirmado que ela é mais transmissível que outras variantes, ainda não há informações suficientes para saber se é mais letal do que suas antecessoras. 

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa. Caso tenha alguma sugestão de verificação, entre em contato conosco pelo número +55 21 99193-3751.

Editado por: Maurício Moraes e Chico Marés

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Os dados são mais graves do que a informação
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A informação está comprovadamente incorreta
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