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Em vídeo de comemoração ao 7 de setembro, Lula erra ao falar sobre Bolsa Família e crescimento da economia em seu governo

Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
08.set.2021 | 20h06 |

Na véspera do feriado de 7 de setembro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou em suas redes sociais um vídeo para seus apoiadores. Na gravação, o ex-presidente criticou os “atos contra os poderes da República” chamados pelo atual presidente, Jair Bolsonaro, e defendeu algumas de suas ações como presidente. A Lupa checou algumas declarações de Lula, confira:

“[O crescimento durante o governo Lula] colocou o Brasil entre as seis maiores economias do mundo”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, em vídeo publicado no dia 6 de setembro de 2021 em seus canais oficiais

FALSO

A economia brasileira chegou a estar entre as seis maiores do mundo, mas isso aconteceu durante o governo de Dilma Rousseff, e não no de Lula. Em dezembro de 2011, o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios publicou uma projeção que mostrava que a economia brasileira ultrapassaria a economia britânica, então sexta maior do mundo, no final do ano. Essa tendência foi confirmada em março de 2012. Essa situação durou pouco. Ainda em 2012, o Brasil foi ultrapassado novamente pelo Reino Unido. Atualmente, o ranking da Austin Rating indica que o Brasil é a 13º economia do mundo.

Procurada, a assessoria de imprensa de Lula disse que “o crescimento da economia durante o governo Lula é que levou o Brasil para a sexta economia do mundo no primeiro ano do governo Dilma”. 


“[Os últimos governos] encolheram o Bolsa Família”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, em vídeo publicado no dia 6 de setembro de 2021 em seus canais oficiais

FALSO

Diferente do que dito pelo ex-presidente Lula, o programa Bolsa Família não encolheu durante o governo Bolsonaro. Segundo dados do Ministério da Cidadania, em agosto de 2021, 14,655 milhões de famílias receberam o benefício. O número mais alto da série histórica foi em maio de 2021, 14,695 milhões. Durante os últimos anos do PT no poder, o número era ligeiramente mais baixo: em abril de 2016, último mês de Dilma no poder, 13,892 milhões de famílias foram beneficiadas.

O valor médio por família, contudo, cresceu abaixo da inflação. Em abril de 2016, o valor médio do benefício era de R$ 161,09, o que em valores corrigidos pelo IPCA representaria R$ 203,52 atuais. Em março de 2021, último mês em que não houve pagamento do auxílio emergencial — benefício que afeta o valor médio pago no bolsa família —, o benefício médio era de R$ 186,49.

No início de agosto, o presidente Jair Bolsonaro enviou para o Congresso Nacional uma Medida Provisória (MP) que tem como objetivo inaugurar um “novo Bolsa Família”, que deverá se chamar “Auxílio Brasil”. A previsão é que ele comece a funcionar no final deste ano. O valor ainda não foi definido.

Procurada, a assessoria de imprensa de Lula afirmou que a fila de pessoas com direito ao benefício que não são contempladas cresceu e que o valor real do benefício caiu em relação ao aumento do custo de vida. 


“(…) Continuaram cobrando cada vez mais imposto do pobre do que dos ricos”

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, em vídeo publicado no dia 6 de setembro de 2021 em seus canais oficiais

VERDADEIRO

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) sobre rendimentos do trabalho e contribuição previdenciária em dois períodos (2008-2009 e 2017-2018) concluiu que as famílias mais pobres acabam sendo mais prejudicadas que as mais ricas em três deles (IPVA, IPTU e Previdência).

Em 2017-2018, por exemplo, nas 23% de famílias com renda de até três salários mínimos que declararam o pagamento de IPTU, o imposto representou 1,2% da renda domiciliar. Já nas famílas que recebem mais de 36 salários mínimos, o porcentual caiu para 0,7%. Já o IPVA consumiu 2,2% da renda das famílias com renda de até três salários mínimos, e 0,9% da renda daquelas que ganham mais de 36 salários mínimos. Na contribuição previdenciária, essa distorção também ocorreu e o gasto foi de 6,1% da renda dos que ganham até um salário mínimo e de 3,4% para os 1,2% mais ricos (acima de 36 salários mínimos).

Editado por: Chico Marés

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