Tem certeza que deseja sair da sua conta?

#Verificamos: É falso que houve megaprotesto na Alemanha contra alta dos combustíveis

Repórter | Rio de Janeiro | lupa@lupa.news
15.set.2021 | 17h35 |

Circula pelas redes sociais uma foto que mostra dezenas de carros parados em uma rodovia. De acordo com a legenda, a imagem retrataria uma suposta manifestação na Alemanha em que a população teria deixado 1 milhão de carros nas ruas para obstruir a circulação e protestar contra o preço dos combustíveis. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Na Alemanha o governo subiu preço de combustível. Em apenas uma hora de tempo as pessoas abandoram seus carros nas ruas e avenidas e foram a pé para casa. Mais de um milhão de carros abandonados. Tiveram que baixar o preço. Quando o povo é inteligente os corruptos não conseguem concretizar seus objetivos”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até 13h do dia 15 de setembro de 2021, tinha mais de 2,8 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A foto supostamente tirada na Alemanha é, na verdade, de um engarrafamento na China durante um feriado nacional. Não há relação com manifestações contra o aumento do preço dos combustíveis. Também não houve nenhum protesto recente em que 1 milhão de carros foram deixados nas ruas da Alemanha pela diminuição do valor dos combustíveis, apesar da sua tendência de alta no país.

A versão original da foto do post está disponível no Shutterstock, banco de imagens sediado nos Estados Unidos. A plataforma não informa seu autor, mas a foto foi tirada no dia 30 de setembro de 2012 em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong. No registro, é possível observar dezenas de carros parados em uma grande rodovia. Com a circulação completamente interrompida, muitas pessoas aguardaram do lado de fora de seus veículos.

A imagem faz parte de um álbum de oito fotos intitulado “Caos no trânsito durante o Festival de Meio-Outono e as celebrações do Dia Nacional da China”. As duas datas formam um grande feriado nacional de oito dias que gera a maior movimentação de turistas do ano no país.

No Shutterstock, a foto é acompanhada de uma legenda segundo a qual, naquele ano, a expectativa era de que 740 milhões de pessoas viajassem pelo país durante a semana de celebrações. Esse seria o motivo para o trânsito caótico que gerou grandes congestionamentos nas rodovias chinesas. Em 2012, o site do jornal britânico The Telegraph repercutiu o assunto, utilizando a mesma foto. No ano passado, mesmo durante a pandemia da Covid-19, a estimativa era de que 637 milhões de chineses tenham viajado na data.

A foto da China já circulava ao menos desde 2017 com a legenda falsa, inclusive em outros países, como mostram checagens de USA Today e India Today. Na última semana, a postagem voltou a viralizar no Brasil.

Alemanha

De acordo com a agência AFP, a última manifestação na Alemanha com alguma similaridade à citada nas redes sociais ocorreu em setembro de 2000, quando 7 mil caminhões, tratores e táxis bloquearam as rotas de acesso ao centro da capital, Berlim. O movimento pedia a retirada de um imposto sobre os combustíveis. A Associated Press falou em um número menor, de 2 mil caminhões. De qualquer forma, além de ter ocorrido há mais de duas décadas, o ato reuniu um número de veículos muito inferior a 1 milhão.

Nos últimos meses, de fato, os alemães têm sentido uma alta no preço dos combustíveis. Como no Brasil, os reajustes têm relação com o preço internacional do petróleo, que está em tendência de valorização com a retomada da economia mundial pós-pandemia. No entanto, por lá, existem ainda outras questões, como o início de uma taxação extra que visa a compensar os impactos dos combustíveis fósseis relacionados às mudanças climáticas.

Essa informação também foi verificada por G1, Aos Fatos e Estadão Verifica

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes

O conteúdo produzido pela Lupa é de inteira responsabilidade da agência e não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído sem autorização prévia.

A Agência Lupa é membro verificado da International Fact-checking Network (IFCN). Cumpre os cinco princípios éticos estabelecidos pela rede de checadores e passa por auditorias independentes todos os anos

A Lupa está infringindo esse código? Clique aqui e fale com a IFCN

 

Esse conteúdo foi útil?

1 2 3 4 5

Você concorda com o resultado desta checagem?

Sim Não

Leia também

SIGNATORY- International Fact-Checking Network
Etiquetas
VERDADEIRO
A informação está comprovadamente correta
VERDADEIRO, MAS
A informação está correta, mas o leitor merece mais explicações
AINDA É CEDO PARA DIZER
A informação pode vir a ser verdadeira. Ainda não é
EXAGERADO
A informação está no caminho correto, mas houve exagero
CONTRADITÓRIO
A informação contradiz outra difundida antes pela mesma fonte
SUBESTIMADO
Os dados são mais graves do que a informação
INSUSTENTÁVEL
Não há dados públicos que comprovem a informação
FALSO
A informação está comprovadamente incorreta
DE OLHO
Etiqueta de monitoramento
Seções
Arquivo